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Primeira
eleição direta para presidente da República,
Constituinte, planos econômicos variados. O momento
era mesmo de efervescência. Junte-se a isso uma porção
de novos talentos da reportagem e tem-se, a partir de 1985,
uma redação do Jornal do Brasil
que recuperava a criatividade antes oprimida pela ditadura.
Era tempo de grandes matérias, editorias novas e pioneirismos
como a primeira seção de Ciências do jornalismo
carioca.
Depois
de reformular a Revista de Domingo, criar o caderno Idéias
e acumular vários cargos de chefia, Zuenir Ventura
decidiu voltar à reportagem. Coube a ele a investigação
sobre a morte do seringueiro e ecologista Chico Mendes,
série que rendeu ao JB o Prêmio
Esso. No período de 1985 a 1991, quando Flávio
Pinheiro ocupou o cargo de editor-executivo do jornal, a
redação conquistou vários outros prêmios
e, segundo Flávio, assegurou também a confiança
do leitor. A partir de 1992, Zuenir se tornaria colunista
do jornal, função que continuou - e continua
- exercendo em outros órgãos de imprensa.
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A
IstoÉ viveu entre o final da década
de 70 e o início da década de 80 o seu grande
momento como revista, graças a uma cobertura intensa
dos movimentos populares - como a mobilização
sindical no ABC paulista - e de todos os aspectos da abertura
política no país. Para competir com Veja,
contratou em 1981 para ser chefe de sua sucursal carioca o
jornalista que ocupava a mesma função na concorrente:
Zuenir Ventura. Ele levou Artur Xexéo para ser seu
braço-direito, e os dois trabalharam até 1985
para emprestar idéias e espírito cariocas à
revista paulista. Até hoje a IstoÉ
é uma das revistas semanais mais importantes do país.
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Criada
no final dos anos 60 e logo alçada à condição
de uma das revistas mais influentes do país, a Veja
fazia várias reportagens na segunda metade da década
de 70 sobre a lenta e gradual abertura política brasileira.
Foco de reivindicações pela aceleração
desta abertura e de tradicional resistência ao regime
militar, o Rio de Janeiro começou a ganhar espaço
cada vez maior na revista, em especial depois que Zuenir Ventura
se tornou chefe da sucursal carioca, em 1977. Sua ligação
com artistas e intelectuais - como os que realizavam debates
e manifestações no Teatro Casa Grande - os aproximava
da revista. Quem recorda isso é Artur Xexéo,
que iniciou na Veja uma longa parceria com Zuenir
e que cobriu com ele, na virada dos anos 70 para os 80, fatos
como o da explosão da bomba no Riocentro, o atentado
à OAB e a volta ao Brasil dos exilados.
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Brasília
e a revista Visão cresciam juntas na década
de 50. Enquanto a primeira saía do papel para o concreto
armado, a segunda se alimentava das novidades que a construção
da nova capital trazia e inaugurava uma seção
especialmente dedicada às últimas do Distrito
Federal. A publicação inovou também com
seções regulares sobre energia atômica
e corrida espacial, além de cadernos como Quem
é quem na economia brasileira e Perfil
da administração pública, que davam
até endereço e telefone das pessoas citadas.
Criada
para conquistar um público específico, a revista
dos homens de negócio treinava gerentes de
assinaturas nos EUA e se mantinha ao largo das bancas. Entre
os vários colaboradores de peso estavam Antonio Callado
e Paulo Francis, este contratado na década de 70
para ser correspondente em Nova York. Wladimir Herzog trabalhou
em São Paulo na redação da revista,
dirigida por Jorge Leão Teixeira de 1959 até
1965. Em 1966, dentro de um projeto de imprimir a revista
no Rio, Zuenir assumiu a chefia da sucursal carioca, cargo
que, com algumas interrupções, ocupou até
1977. A revista acabou em 1991.
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Numa
redação tomada por repórteres de pouco
mais de 20 anos, era natural que as pautas enfocassem assuntos
da juventude como o vestibular. Idéia de Zuenir Ventura,
a edição especial de serviço para vestibulandos,
em 1966, foi a primeira publicação do gênero
na imprensa. A revista Fatos & Fotos também
se adiantou na tarefa de dar o espaço merecido aos
Beatles, quando a onda dos reis do ie-ie-iê chegou ao
Brasil. Já a cobertura do carnaval se diferenciava
pela rapidez com que chegava às bancas, sempre repleta
de fotos.
Revista
pictórica na definição de Nilo
Martins - com quem Zuenir, como editor-chefe, trabalhou
por quase dois anos na redação - a Fatos
& Fotos contava ainda com outros jornalistas sempre
antenados com assuntos que prometiam virar moda, entre eles
Paulo Henrique Amorim. Graças a uma série
de reportagens sobre avanços da medicina feita por
José Itamar de Freitas, a revista da Bloch ganhou
o Prêmio Esso de Jornalismo.
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Você
lê Tio Patinhas?. Caso a resposta fosse negativa,
o candidato a um estágio no jornal O Sol
perdia a chance de integrar uma redação que
tinha como conselheiros in loco os intelectuais Otto Maria
Carpeaux e Sérgio Lemos. Criado por Reynaldo Jardim,
autor também das perguntas usadas para selecionar os
40 estagiários da redação, O Sol
marcou o ano difícil de 1967 não só com
seu design arrojado - cada matéria não ocupava
mais do que um quarto de página, de forma que o jornal
pudesse ser lido dobrado - mas principalmente com suas idéias
alternativas e sua inventividade.
O
que começou saindo encartado diariamente no Jornal
dos Sports e depois ganhou uma curta vida independente
era, na verdade, uma escola de jornalismo baseada na experimentação.
Cantado por Caetano Veloso em Alegria, alegria,
O Sol nas bancas de revista durou apenas alguns
meses, mas fez história. Abriu caminho para o Pasquim
e não estabeleceu limites para a ousadia. Mas não
se tratava de mero improviso: antes de o jornal ir para
as ruas, uma equipe de jornalistas chefiada por Zuenir Ventura
planejou, durante três meses, sua forma, diagramação
e linguagem. Projeto acabado, Zuenir deixou o jornal a cargo
de Ana Arruda, que não só o editou como ajudou
a vendê-lo nas ruas e até mesmo na porta do
Maracanã.
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Corriam
os anos 50 e o jornalismo se despedia da primazia do texto
de pretensões literárias, começando a
se preocupar mais com a edição como um todo,
inclusive com a imagem: a foto, a partir daí, deixaria
de ser mera ilustração e ganharia força
narrativa. Capitaneando esta mudança e servindo de
fonte inspiradora para outros veículos, como a Revista
da Semana e A Noite Ilustrada, estava a
revista O Cruzeiro, então a mais popular
publicação do país. O jornalismo ilustrado
da revista era alimentado tanto por reportagens sérias
como por matérias fantasiosas e sensacionalistas, como
as feitas pelo repórter David Nasser.
Inicialmente
cuidando de textos nas famosas duplas de repórter
e fotógrafo da revista, Luiz Carlos Barreto acabou
tomando tanto gosto pelo outro lado que, nos anos 60, tornou-se
diretor de fotografia de filmes fundamentais como Vidas
secas. Antes de optar definitivamente pelo cinema,
também como produtor, ele trabalhou em O Cruzeiro
com Zuenir Ventura, que ocupou por pouco tempo a chefia
de reportagem.
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Entre
os jornalistas do Diário Carioca, na década
de 50, corria o manual de redação da United
Press International (UPI), que trazia técnicas americanas
de redação como o lead e a pirâmide invertida.
A primeira ensinava o repórter a responder, logo no
primeiro parágrafo da notícia, seis perguntas
básicas: o quê?, quando?, quem?, como?, onde?
e por quê?. A pirâmide sugeria que os dados mais
importantes estivessem logo no começo do texto, prontos
para serem rapidamente assimilados pelo leitor.
Reforçadas
pelo editor Pompeu de Souza, essas coordenadas abriram terreno
para um novo jornalismo, preocupado com a objetividade -
e, também, com a beleza do jornal, garantida durante
um bom período pelo escultor Amilcar de Castro. Estava
feito o jornal voltado para a Zona Sul do Rio e de texto
sofisticado, com colunistas como Carlos Castelo Branco e
Evandro Carlos de Andrade e redatores como Hélio
Pólvora e Milton Coelho da Graça. Este, depois
de passar nove meses na prisão por causa do golpe
militar de 1964, foi acolhido pelo então editor-chefe
Zuenir Ventura. Em dezembro de 1965, Milton presenciou o
fechamento do jornal no qual iniciara a carreira seis anos
antes.
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Em
1963, antes do golpe militar, o Correio da Manhã
era um dos principais jornais do país, graças
à sua equipe extremamente talentosa e a seu estilo
combativo. Já em 1970, a luta do jornal era para sobreviver
em meio ao massacre imposto pelo regime militar, quando eram
cortados, por exemplo, todos os anúncios oficiais.
Zuenir Ventura esteve no Correio nestes dois momentos,
extremos no caminho de um grande jornal destruído por
motivos políticos. Em 8 de junho de 1974 o Correio
fechou as portas definitivamente.
Na
segunda passagem de Zuenir pelo jornal, o editor de esportes
era seu primo João Máximo, que recorda como
era tenso o ambiente na redação, majoritariamente
de esquerda e buscando formas para reagir àquela
situação desfavorável. João
Máximo coordenou a cobertura da Copa de 1970, cuja
vitória brasileira acabou capitalizada pelo maior
inimigo do Correio: o regime militar.
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Segundo
o jornalista Luiz Garcia, nos anos 50 havia, basicamente,
três tipos de profissionais da imprensa: o funcionário
público que fazia bico nas redações,
o jornalista de pretensões políticas e aquele
que sonhava com uma carreira literária. No final da
década, na redação pequena e sem recursos
da Tribuna da Imprensa, esta situação
começou a mudar. Antigetulista ferrenho anos antes
- por orientação de seu dono, Carlos Lacerda
- o jornal experimentou deixar um pouco de lado o jornalismo
opinativo e abriu espaço para a objetividade. A geração
de profissionais que nasceu aí aprendeu que a notícia
é mais importante que o repórter. O jornalismo,
finalmente, passava a ser um fim em si mesmo.
Luiz
Garcia já ocupava um cargo de chefia na Tribuna
quando, em 1957, Zuenir Ventura trocou o arquivo pela redação
e iniciou sua carreira na imprensa. Os dois voltariam a
trabalhar juntos na revista Visão e nunca
deixariam de ser amigos.
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Em
seu gabinete na Rua México, no Centro do Rio, o ex-deputado
Amaral Netto costumava dizer que encarnava Dr. Jekyll e Mr.
Hyde, a dupla personalidade de O médico e o monstro,
de Robert Louis Stevenson. O monstro cuidava do Maquis,
jornal semanal que atacava o governo JK. Já o médico,
mais tranqüilo, coordenava a redação de
O Brasil em Jornal, cujos números formavam
a coleção A História em Notícia.
Com um visual bem cuidado, o tablóide mensal tratava
fatos da História do país como se fossem notícias
quentes, inclusive com manchetes. A pesquisa era feita na
própria biblioteca especializada montada pelo ex-deputado,
que não hesitava em arrancar gravuras de seus livros
de arte para ilustrar o jornal.
Enquanto
Amaral Netto cuidava pessoalmente das notas de economia
e sociais - imitando Ibrahim Sued - os historiadores Gustavo
Barroso, Jaime Coelho e Cláudio Soares escolhiam
livremente suas pautas. Esta liberdade também tinha
Zuenir Ventura, que preferia escrever sobre fatos da França
e da Inglaterra, dividindo-se entre as pesquisas e o trabalho
como copidesque na Tribuna da Imprensa. Já
Rubem Azevedo Lima, colega de Zuenir na Tribuna,
não precisou nem pensar sobre o que escrever em A
História em Notícia. Depois de ganhar
um prêmio de 400 mil cruzeiros respondendo no programa
de TV O céu é o limite, de J.
Silvestre, a perguntas sobre as Histórias do Brasil
e de Portugal até 1580, ele recebeu um convite para
transformar seu conhecimento especializado em textos para
o tablóide. Começou em 1958 e permaneceu na
redação até 1960, quando Amaral Netto
vendeu o jornal, então já com mais de 40 mil
assinantes.
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