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Nelson Falcão - perfil
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Lembranças de meu Amor Futuro

Não tinhas plumas doiradas,
Auréola reluzente, semblante divino
Ou tez incorruptível.
Não habitavas acima das nuvens,
Nem a adoração tinhas dos homens...
O desprovimento de armadura tinhas,
Em nudez de toda sorte de nobreza vivias,
Nem montavas unicórnio ou pégaso,
Ou qualquer outro vivente ser.
E nem sequer a perfeição platônica
emoldurava esse sonho.

Uma coisa de certo havia:
Eras incompreensível tal qual
Uma surrealista pintura:
Teus olhos não cessavam de me olhar,
Tuas mãos de me tocar,
Nem teus lábios de matar-me a sede,
Nem teu amor de me amar.
E entrelaçado em nossos braços e abraços
Perdia-se e batia um único coração
Encurralado entre nossos hirsutos peitos...
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colaborações recentes  
Banco - Vaticínio Vincular
23/11/2009 15:57 · 33 votos · 5 comentários
Vaticínio Vincular

O princípio de uma faraônica fidelidade
fundiu nossas psiquês, ah colossal beldade!,
como o âmbar fossiliza a primeira paixão,
como o pacto simbiótico de uma constelação.

Tu és o fausto vaticínio de meu narcótico sonhar,
os avidíssimos céus do zigurate babilônico.
Mas, preparo-me... para o silêncio do clímax caótico
de um imprevisível pesadelo, oniromântico...
Banco - Reflexo Siamês
20/11/2009 08:34 · 36 votos · 3 comentários
Reflexo Siamês

Uma a uma, rubras gotículas afloram de meus vacilantes lábios
que beijam e alimentam os teus, colorem tua pálida tez.
Uma a uma, quebram a milenar dormência de sanguíneos rios,
plasma efervescente que engendra a morte do reflexo siamês.

Tesouro guardado por incontáveis eras, desperta-te do torpor
paralisante que te restringia graciosos movimentos, outrora.
Contemplo,...
Banco - Canção Órfica
11/11/2009 15:14 · 46 votos · 4 comentários
Canção Órfica

Antes meu corpo em estado de miíase
ao som de uma orquestra díptera;
absortos em uma paralítica midríase
meus olhos dados a fome carnívora.

Ao abraço eviscerante do cruel Tanatos
dar-me-ia por amor a paz fulminante;
sobrevoando-me com olhos famintos,
dissecar-me-ia qual obstinado necromante.

Que de tudo o meu corpo padeça
do que nosso cupidíneo...



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