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Lançamento: 20/10/2009
Preço médio: R$ 25,00
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Jornalista, Ramon Mello publica seu primeiro livro de poemas, cujo título dialoga com uma das obras mais estimadas por seus contemporâneos,
Morangos mofados, de Caio Fernando Abreu, que, entre outros aspectos, deixou como legado, desde os anos 1990, o amor pela música popular brasileira. Legado que foi muito bem absorvido por poetas como Augusto Guimaraens Cavalcanti,
Bruna Beber e, agora, Ramon Mello.
Com versos preponderantemente curtos, que “fotografam” cenas do cotidiano afetivo,
Vinis mofados trabalha o humor e a ironia como vias de acesso à profundidade dos sentimentos, distanciando-se, contudo, de qualquer possibilidade de abraçar o “peso” como quem abraça o sustentáculo de sua poesia. Ao contrário, Ramon Mello explora o verso simples, mas não fácil. E a simplicidade reúne-se muito bem ao flerte com a música popular brasileira e ao registro do cotidiano afetivo e urbano de seu livro de estréia.
O
lançamento é nesta terça, 20 de outubro, às 19h30, no Brechó de Salto Alto, no Shopping de Antiquários (Rua Siqueira Campos, 143, sl. 44/2. andar, Copacabana, Rio de Janeiro)
Leia a orelha do livro, escrita por Heloisa Buarque de Hollanda:
Ler
Vinis mofados de Ramon Mello é acompanhar uma busca. E isso é sempre um momento de delicadeza. Foi assim que me senti ao ler os originais de Ramon. Amor declarado ao seu mestre Caio Fernando Abreu, citações necessárias a Caetano e Waly Salomão, o poeta sai à procura de alguma coisa que não pode e não deve ser guardada. Não há grande certeza se esta é a busca da poesia ou a busca mais pesada da própria palavra.
Entretanto, para se compreender o universo deste livro, é importante não perder de vista que a ansiedade o desejo forte de procura da palavra poética é movida à música. Aqui a palavra dita, a palavra sentida, a palavra silenciada, a palavra excessiva vem, de maneira muito explícita, articulada à palavra cantada. O que importa é a palavra e sua quase intangível definição.
Vinis mofados, assim como os morangos de Caio F., fala de passados recentes, ainda quente de referências musicais. O Vinil ainda úmido, palavras guardadas, que não conseguiram ser ditas, poesia-presa procurando transformar-se em poema e livro. O resultado material é um livro-álbum.
No LADO A, a tentativa quase obsessiva, de encontrar os sentidos concretos da palavra e suas práticas. São quase verbetes que cercam o dizer por todos os lados. A palavra como alimento em “Cesta básica”, palavra que foge em “Dicionário”, a palavra-lágrima em “Argueiro” e, não satisfeito, continua, insistente, buscando a palavra de bar, o poema-expresso, a palavra forjada numa overdose de blues. A tentativa prossegue, experimentando vários formatos de anúncios, cartazes, noticias, E prossegue ainda, revisitando mestres como Chacal, Cacaso, Viviane Mosé.
A primeira parte do livro fecha rendendo-se abertamente à musica como em “Libido Tropicalista”, “Cartilha Remix” e “Phono – 00”, uma espécie de capitulação diante da evidência poética da palavra cantada, encantada. Chegamos perto da extensão de sentidos que a procura de
Vinis mofados empreende com determinação e uma certa aflição.
Já o LADO B, começa com uma aparente nova intenção. O primeiro poema, “Lado B”, pede um tempo para a música e, a partir deste ponto, a poesia de Ramon suspende um pouco a procura de sua dicção e mergulha sem hesitação num universo de “palavras empoeiradas”, lembranças, fotos, dores de cotovelo inesquecíveis.
Trata-se de uma poesia ágil, contemporânea, com marcas “internerds”, mas na qual o amor sonhado e perdido, o amor romântico
au grand complet dá o tom e ganha a cena. Uma poesia de palavras musicadas em Vinil e experimentada em MP4.
Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2009.
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