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Lançamento: 17/11/2008
Preço médio: Gratuito
A bioenergia vem sendo tratada, cada vez mais, com a seriedade que merece, para além do oba-oba e do modismo que a mídia novidadeira adora, destacando determinado tema por alguns meses, para depois relegá-lo ao limbo dos rodapés e pequenas notas. O governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria de Desenvolvimento, acaba de lançar o livro
Bioenergia no Estado de São Paulo, resultado de oito seminários técnicos conduzidos pela Comissão de Bioenergia do Estado, com mais de 500 participantes. A obra,
disponível para download gratuito no site da secretaria [e também aqui ao lado no Portal Literal], detalha a situação atual, perspectivas, barreiras e oportunidades geradas pela bioenergia na região, responsável por 60% da produção de etanol no Brasil, além de outras biomassas de importância significativa, tais como biodiesel, biogás e florestas energéticas, em que a bioenergia representa 30% da oferta total de energia no Estado.
O uso do etanol no mundo como combustível mais limpo do que a gasolina tem crescido consideravelmente nos últimos anos, o que implica o crescimento da cultura da cana-de-açúcar no Estado: o aumento de produtividade na produção de etanol (em litros por hectare) tem sido superior a 3% ao ano nos últimos 30 anos, segundo Alberto Goldman, vice-governador e secretário de Desenvolvimento.
Informa ainda o sumário executivo da obra: “É também relevante destacar a importância dos aspectos sócio-econômicos relacionados à bioenergia, a sua contribuição para a melhoria do meio ambiente, bem como a necessidade de planejamento e compatibilização das ações de governo necessárias ao seu desenvolvimento”.
O livro foi organizado pelo coordenador da Comissão de Bioenergia do Estado de São Paulo e presidente consultivo do Centro Nacional de Referência em Biomassa, José Goldemberg, em parceria com o pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Francisco Nigro, e com a secretária executiva do Centro Nacional de Referência em Biomassa, Suani Coelho.
Porém, tema ainda recorrente quando se fala em cana-de-açúcar são as condições de trabalho dos cortadores de cana, praticamente não tratadas na obra. No prefácio, Goldman comenta: “O aspecto mais visível dos problemas sociais é decorrente da colheita manual da cana que é precedida de ‘queimadas’. Cerca de 700 mil ‘bóias-frias’ foram envolvidos nesse processo nas décadas dos anos 1980 e 1990. As ‘queimadas’ se tornaram um sério problema ambiental, bem como os resíduos das destilarias lançados em cursos d’água, sobretudo no Rio Piracicaba, e que provocou sérios danos ambientais”.
Neste início de século, o número de trabalhadores bóias-frias vem diminuindo. Na página 41, podemos ler: “A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE captou para 2004 um contingente de 251 mil empregados permanentes e 242 mil temporários, ocupados na cultura da cana-de-açúcar no Brasil”.
Já na página 99, está lá: “Estimativas recentes pelo IEA e pela UNICA (Jank, 2008) indicam que o setor sucroalcooleiro em São Paulo, tomando por base a safra 2006/07, deverá criar cerca de 57 mil empregos mais qualificados, ao mesmo tempo em que reduz cerca de 190 mil postos de trabalho de cortadores de cana até a safra 2015/16, com a eliminação total da queimada. Assim sendo, configura-se claramente a necessidade de aumento de oferta de treinamento e fortalecimento de programas sociais”.
A realidade destes trabalhadores envolve longas viagens em condições deploráveis desde o Nordeste e Minas Gerais até as lavouras do interior de São Paulo, bóias-frias que morrem por exaustão, de tanto trabalhar, trabalham sem registro e sem nenhuma segurança, que ficam até sete meses longe de casa, como documentou o
“Profissão Repórter”, programa de grandes reportagens da TV Globo, capitaneado por Caco Barcellos, há dois anos. Merecia uma aprofundamento melhor na obra.
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