Harold Pinter (Londres, 10 de Outubro de 1930 — Londres, 24 de dezembro de 2008) não viu as bombas e mísseis de 2009, e o ano que começa agora não recebeu (ou percebeu) uma nova mensagem moral na pausa definitiva do gênio. Seu silêncio veio em 24 de dezembro de 2008. Mestre de um estilo repleto de longas pausas entre os diálogos, mereceu um vocábulo no dicionário
Oxford da língua inglesa: o adjetivo
Pinteresque ("Pinteresco", em tradução livre).
O recado está dado faz tempo: em 2003 Pinter publicou
War, seu livro de poesia antiguerra, no qual critica a guerra no Iraque e que lhe rendeu o prêmio Wilfred Owen, que leva esse nome em homenagem ao poeta que morreu na Primeira Guerra Mundial.
Nascido em Londres, filho de um alfaiate, Harold Pinter escreveu mais de 30 peças de teatro, entre elas
A Volta ao Lar,
Festa de Aniversário e
O Porteiro. Também atuou nos palcos, foi diretor teatral e roteirista de cinema. Entre suas obras mais conhecidas está o filme
A Mulher do Tenente Francês. Em 2007 participou do roteiro e do elenco de
Um Jogo de Vida ou Morte, com Jude Law e Michael Caine.
Notório também por tomar parte em campanhas pela defesa dos direitos humanos, Pinter foi membro e deu apoio mais de uma dezena de organizações e campanhas,
listadas em sua página oficial.
Em entrevista à BBC, em fevereiro de 2005, antes de ganhar o Prêmio Nobel, Harold Pinter afirmou que havia desistido de escrever peças de teatro e que se concentraria em outras formas de literatura, principalmente poesia.
"Minhas energias estão indo em direções diferentes, certamente para a poesia", disse. "Mas, também nos últimos anos eu fiz vários discursos políticos em vários lugares e cerimônias. (...) Estou usando muita energia, mais especificamente em situações políticas que, eu acho, são muito preocupantes do jeito que as coisas estão."
*Confira o vídeo em que Pinter conversa durante uma hora com o entrevistador norte-americano Charlie Rose.
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