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Prêmio Leya 2009 vai para Moçambique
Felipe Pontes, Rio de Janeiro (RJ) · 15/10/2009 · nenhum
Divulgação
João Paulo Borges Coelho, vencedor do Leya 2009
Filho do conde de Anadia, cidade do distrito de Aveiro, centro-sul de Portugal, o homem-mídia português Miguel Pais do Amaral criou, em janeiro de 2008, o Grupo Leya, holding responsável por administrar seu conglomerado de 17 editoras portuguesas, uma moçambicana e uma angolana, dentre elas algumas líderes do mercado editorial portugês, como a Caminho, Dom Quixote, ASA e Texto Editores. Pouco depois, em fevereiro de 2008, o Grupo Leya lançou o maior prêmio concedido a um romance inédito escrito em língua portuguesa, no valor de 100 mil euros, equivalente ao Prêmio Camões, que no entanto é concedido a todo o conjunto da obra de um autor.

Naquele ano, o prêmio foi concedido ao livro do jornalista brasileiro Murilo Carvalho, O rastro do jaguar (Leya Brasil), relato de um índio guarani residente em Paris que retorna ao Brasil no final do século XIX. Com esse mesmo livro a holding iniciou suas atividades no Brasil, no dia 11 de setembro deste ano, em festa no Palácio São Clemente, a residência oficial do cônsul-geral de Portugal no Brasil. Outros 5 livros foram escolhidos como vanguarda da editora, dentre eles Chico Buarque - Historias de cançoes (Leya Brasil), do jornalista Wagner Homem e Bendito Maldito (Leya Brasil), biografia escrita pelo jornalista Oswaldo Mendes a partir das fitas deixadas pelo dramaturgo Plínio Marcos contando sua vida, ambos lançados este mês.

Anunciado, assim como no ano passado, na mesma época da Bienal de Frankfurt, o vencedor do Prêmio Leya 2009 é o livro O Olho de Hertzog do historiador e ficcionista moçambicano João Paulo Borges Coelho. Espécie de narrativa entrelaçada com a história recente de Moçambique, o livro foi descrito na ata do júri como "romance de grande intensidade, em que se conjugam a complexidade das personagens, a densidade da trama narrativa e a busca de O Olho de Hertzog, que é, de certo modo, uma metáfora da demanda do destino individual e colectivo e do nunca desvendado mistério do ser".

Ao adquirir, em 2007, parte das principais editoras que hoje possui, Miguel Pais do Amaral foi perguntado pelo jornal português Diário de Notícias se pretendia tornar-se o maior editor daquele país, ao que respondeu: "O meu objetivo nunca foi ser o maior em nada, o objectivo é desenvolver operações com qualidade, rentabilidade e viabilidade. É o que vamos tentar fazer". O Grupo Leya, que segundo Pascoal Soto, diretor da Leya Brasil, tem "o objetivo maior de ser uma editora internacional, um grupo editorial presente em todos os países de língua portuguesa", parece demonstrar mais ambição do que seu proprietário, que também é piloto profissional de stock car e compete no campeonato espanhol.

>Confira aqui entrevista com o autor de O Rastro do Jaguar (Leya Brasil).

>Confira mais sobre o Grupo Leya aqui.


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