Desde que as tecnologias que permitem a fabricação de leitores de livros digitas tornaram-se comercialmente viáveis, surgiram no mercado dezenas de engenhocas capazes de mimetizar a experiência de ler no papel - Sony Portable Reader, Cybook Opus, Pocketbook 360, Hanlin eBook, Hanvon, Azbooka, Kindle, iRex, Plastic Logic QUE. Nomes complicados que no fim são apenas invólucros de um mesmo ecrã, o E-ink Vizplex, produzido por uma mesma empresa, a E-ink Corporation, detentora de sua patente.
O grande diferencial do Kindle, produzido pela Amazon, portanto, não é o aparelho em si, até certo ponto limitado em comparação a outros modelos, mas a rede a qual ele está conectado, que sem nenhum custo adicional de conexão permite o acesso à imensa base de dados da loja virtual Amazon e a conteúdos periódicos exclusivos, em qualquer lugar com cobertura 3G. Tudo sob o lastro de acordos firmados pela gigante do varejo on-line com companhias de telecomunicações e corporações de mídia ao redor do globo.
Para competir a esse nível, a Barnes & Noble, outro peso-pesado do varejo, que possui uma das maiores redes mega-stores dos Estados Unidos e atua em todos os segmentos da cadeia produtiva do livro tradicional, lançou o Nook, seu próprio
e-book reader com acesso gratuito à internet. Basta ir a qualquer uma das lojas Barnes & Noble para conectar e comprar milhões de livros e revistas no formato digital.
Uma grande novidade do Nook é a transposição para o universo virtual, de forma bem mais restrita, do que muitos apontavam como uma das grandes vantagens do livro comum: o empréstimo. O sistema do Nook permite que cada livro digital seja enviado uma vez, por 14 dias, a qualquer amigo que possua um aparelho qualquer - computador, celular etc. - com o software da Barnes & Nobles instalado. Mais uma jogada de marketing do que um adicional efetivo.
Talvez a maior novidade seja o próprio sistema do Nook. Ele é o primeiro leitor de livros digitais a utilizar um software livre (
Google Android) como sistema operacional. Dessa forma a Barnes & Nobles dá a chance de que, no futuro, desenvolvedores em todo o mundo criem novas aplicações e funções para o aparelho. Deixa assim em aberto uma janela que permite adaptar-se melhor à redefinição por que passa o mercado editorial mundial.
O Nook tem exatamente o mesmo preço do Kindle, mas enquanto o leitor da Amazon é vendido, a partir deste mês, em mais de 100 países, o da Barnes & Nobles ainda restringe-se aos EUA, atrelado que está à rede física de lojas. Com a concorrência esquentando na terra do Tio Sam, a expectativa é de queda nos preços e expansão dos mercados.
>Confira a página oficial do Nook.
>Confira o vídeo do lançamento do aparelho.
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