O senador José Sarney, presidente do Senado da República, homem cordial, não viu, não leu e não se interessa pelo novo livro de Palmério Dória,
Honoráveis Bandidos - Um retrato do Brasil na era Sarney (Geração Editorial).
O problema é o desejo do clã Sarney de que nenhum outro morador do Maranhão sequer vislumbre um exemplar da citada obra. Em São Luís, foi necessário formar uma força-tarefa para organizar o lançamento do livro, realizado na última quarta-feira, 4 de novembro, na sede do sindicato do bancários, Rua do Sol, centro da cidade.
Segundo o coordenador da campanha de lançamento de
Honoráveis Bandidos (Geração Editorial) no Maranhão,
Marco Nogueira, a maioria das livrarias da cidade recusaram receber exemplares do livro. Seja por relações de medo, seja por estarem sob o julgo do mandonismo patriarcal de Sarney.
Razão pela qual o sindicato dos bancários, com o respaldo do movimento
Fora Sarney, fora o único local disposto a receber a cerimônia de lançamento da obra, hoje o quarto livro de não-ficção mais vendido no país. Os fatos relatados a seguir são bigodudos.
A começar pela empresa de mídia responsável pela exposição das peças publicitárias do livro, que devolveu o dinheiro já pago e limpou os outdoors que ostentavam a propaganda, pouco antes do lançamento do dia 4. No referido dia, um grupo de "protestantes" pró-Sarney resolveu tumultuar o acontecimento e interrompeu aos gritos a fala de Palmério Dória. Em seguida houve uma confusão generalizada, com direito a ovos podres, portas estilhaçadas, cadeiras e tortas voadoras. [
Assista ao vídeo].
Como ingrediente picante nesse sarapatel, estava presente no lançamento o ex-governador do Maranhão, Jackson Lago. Vencedor das eleições em 2006, Lago foi cassado em 16 de abril deste ano pelo Tribunal Superior Eleitoral, acusado de abuso de poder político na campanha eleitoral. O cargo foi assumido por Roseana Sarney, a filha, segunda colocada nas eleições.
No Amapá, domicílio eleitoral de Sarney pai, a Assembléia Legislativa chegou a desconsitituir um voto de congratulação dado a Palmério Dória. “É que nem você bater palmas e depois revogar as palmas que já foram batidas”, declarou o deputado estadual Camilo Capiberibe. O lançamento de
Honoráveis Bandidos (Geração Editorial) na capital Macapá ocorreu sexta-feira, 06 de novembro, sem problemas.
Dória não esconde o tom provocativo de sua obra. O jornalista, que foi diretor de redação da revista Sexy nos anos 90, dedicou o capítulo 8 de
Honoráveis Bandidos (Geração Editorial) inteiramente às intimidades da família Sarney. Dória escreve, por exemplo, que "o senador delirava só em pensar na realização de seu fetiche sexual: lambidas em seu hálux, ou, na linguagem popular, o dedão do pé". Bem ao tom do livro de entrevistas que o tornou célebre,
Evasão de Privacidade (Geração Editorial), em que revela as confissões sexuais de grandes símbolos femininos no Brasil.
A inverossímil ausência forçada de um best-seller no varejo de São Luís (MA) não é a primeira vez em que família Sarney move os pauzinhos em prol da censura este ano. Em julho, Fernando Sarney, o filho, conseguiu que um juiz federal lotado em Brasília emitisse liminar proibindo o jornal O Estado de São Paulo de publicar informações sobre a Operação Faktor, da Polícia Federal, que revelava irregularidades praticadas pelo Sarney filho.
Com esse episódio maranhense, infelizmente aumenta o número de posts relacionados a tag
censura no Portal Literal.
>Veja aqui o vídeo da confusão no lançamento de Honoráveis Bandidos (Geração Editorial) em São Luís (MA).
>Ouça aqui o comentário de Palmério Dória sobre o livro.
>Leia aqui a um trecho de Honoráveis Bandidos (Geração Editorial)
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