Comemorado em 21 países da Europa e das Américas em 2005, o "Ano ibero-americano da leitura", promovido pela
Organização de Estados Íbero-americanos (OEI), foi batizado no Brasil de "Vivaleitura". Em 2006 juntaram-se à OEI os ministérios brasileiros da Educação e da Cultura, para criar uma premiação de incentivo e reconhecimento a iniciativas em prol das práticas relativas à leitura. Desde então, O Prêmio Vivaleitura tem realização e patrocínio exclusivo da
Fundação Santillana - do
homônimo grupo editorial, um dos maiores da peninsula Ibérica e América Latina - com o apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).
Esse ano foi concedida a recompensa de R$30 mil a cada um dos vencedores nas três categorias do concurso. Foram submetidos cerca de 1200 trabalhos e escolhidos quinze finalistas. Os primeiros colocados foram:
- Categoria “Bibliotecas Públicas e Privadas”: o projeto “O Caminho da Leitura”, de Campinápolis, Mato Grosso (MT), iniciativa de combate ao analfabetismo entre os indígenas da região através de uma biblioteca que professores e caciques construíram dentro da aldeia Xavante “Semente Viva”, hoje utilizada por mais seis aldeias. Recebeu o prêmio o professor da rede municipal e também índio Ciro José Sahairo.
- Categoria “Escolas Públicas e Privadas”: o trabalho “Flis – Festival Literário do Sertão”, realizado na escola pública Olavo Bilac, localizada em Sertânia, município do interior de Pernambuco (PE) situado na área mais pobre do estado, o sertão de Moxotó. Idealizado pelo professor Josessandro Batista de Andrade, o Flis caminha para sua terceira edição e provoca grande mobilização de escritores locais e da população da região.
- Categoria “Instituições e/ou Pessoas Físicas”: O trabalho idealizado pela artista plástica Andréia Aparecida Silva Donadon Lea, “ Poesia Viva – A Poesia Bate à sua Porta”, de Mariana, Minas Gerais (MG), em que voluntários da Associação Aldrava Cultural batem de porta em porta, nas casas, estabelecimentos comerciais e escolas da cidade e municípios vizinhos, para ler contos, romances e poesias às pessoas, além de doar livros aos habitantes.
O Prêmio Vivaleitura está incluso no bojo de iniciativas do
Plano Nacional do Livro e Leitura, lançado em 2006 com uma estratégia de ação muito semelhante a que teve o "
Ano íbero-americano da leitura" em 2005. Por exemplo, a mesma divisão em quatro frentes de trabalho, a saber: a democratização de acesso, fomento à leitura, valorização da leitura e comunicação e desenvolvimento da economia do livro. Mesmo como iniciativa oficial de políticas de Estado, o PNLL clama desde o início por ser uma entidade que congrega ainda a sociedade civil organizada e a iniciativa privada. No discurso de entrega do prêmio o ministro da Cultura, Juca Ferreira, relativizou: “Políticas públicas não são apenas papel do governo. Políticas públicas podem ser tomadas pelos governos, mas também por empreendedores e entidades civis, contanto que sejam voltadas à coletividade”.
As iniciativas inscritas no prêmio ainda foram exaltadas pelo ministro - “acredito que elas são hoje o principal agente na construção de um Brasil leitor. O livro e a leitura precisam ser melhor apresentados nas escolas, para que não sejam considerados pelos alunos uma tarefa árdua e chata” - e os catálogos com a apresentação dos finalistas dos anos anteriores do Prêmio Vivaleitura encontram-se disponíveis para baixar aqui:
>2006
>2007
>2008
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