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A questão das internações psiquiátricas | Resmungos | Ferreira Gullar
Portal Literal 2.0, Rio de Janeiro (RJ) · 28/10/2009 · 3
Reprodução
Detalhe de "O grito", de Edward Munch
O poeta Ferreira Gullar retoma os seus Resmungos aqui no Portal Literal

Volto a resmungar

Por Ferreira Gullar

Queridos amigos, depois de algum tempo calado, volto a resmungar. Este primeiro resmungo vem a propósito de um problema muito grave que denunciei em minha coluna da Folha de São Paulo (Leia as duas colunas de Gullar sobre o assunto: "Uma lei errada" e "A sociedade sem traumas") , não faz muito tempo: o problema das internações psiquiátricas. Entendam bem, não se trata de afirmar que os doentes mentais ou os viciados em drogas tenham que ser alijados da sociedade e mantidos internados indefinidamente. Trata-se de atender e tratar pessoas em estado crítico, quando se torna totalmente impossível tratá-las em casa. Um doente mental ou um drogado em estado de surto torna-se uma ameaça à família, às demais pessoas e a si mesmo. Agora mesmo os jornais noticiaram o caso de um um rapaz que, tendo fumado crack, estrangulou a namorada. O pai dele declarou que já o havia internado seis vezes mas que já não tinha meios para fazê-lo, uma vez que nos hospitais públicos isso é impossível.

Essa é a questão: inventou-se uma tal "psiquiatria democrática" que é contrária à internação. Segundo os defensores dessa política psiquiátrica, o paciente só pode ser internado se ele o quiser, como se uma pessoa em surto psíquico ou drogado tivesse consciência do que deve ou não deve fazer. O resultado é o seguinte: as famílias que têm grana, quando necessário, internam seus parentes, enquanto as famílias pobres (uma internação chega a dez mil reais por mês) nada podem fazer: o surtado ou drogado fica à toa em casa ou na rua, agride ou é agredido e às vezes morto. Essa política foi implantada pelo PT, que diz defender os pobres. Desativaram milhares de leitos psiquiátricos pelo país inteiro. É uma maluquice que tem de acabar.


> Leia uma entrevista de Gullar sobre Nise da Silveira, a psiquiatra que idealizou o Museu das Imagens do Inconsciente (MII)

> Confira mais Resmungos de Ferreira Gullar

> Leia as duas colunas de Gullar na Folha de S. Paulo sobre o assunto: "Uma lei errada" e "A sociedade sem traumas"

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Concordo com o ponto de vista de Ferreira Gullar: nos casos graves de surtos psíquicos (sejam estes causados ou não pelo uso de drogas) as famílias carentes ficam completamente desamparadas pelo governo. Suas vidas se transformam numa verdadeira via crucis, correndo inclusive o risco de morte devido a convivência com um familiar que apresenta a supressão de sua capacidade cognitiva.


E, já que estamos num Portal de Literatura, deixo a minha sugestão de leitura de um conto sobre o tema...

O Fator "L"
http://portalliteral.terra.com.br/banco/texto/o-fator-l

Jorge Xerxes · São José dos Campos (SP) · 28/10/2009 18:45
Faço minhas as suas palavras, pois só quem tem ou já teve um parente com necessidade de internação sabe o que é isso. Pode parecer muito bonito e democrático mantê-los em casa, ao lado da família,né? E quem trabalha, faz o que: se demite do emprego?
Experimenta ficar com uma pessoa assim em crise, não te reconhecendo, tentando te matar pra ver o que é! Põe em risco a própria vida e a dos outros mesmo, fora o sofrimento que isso causa.
Muito bem, querido.

bia35 · São Gonçalo (RJ) · 28/10/2009 19:48
Quero parabenizar , ao autor deste artigo , pois como parcialmente desconhecedora desta área "psiquiatrica" mas como um familiar acometida com essa patologia, só quem tem uma familiar , amigos ou vizinho que padece de uma enfermidade neurológica dessa sabe o que é correr atrás de hospitais psiquiátricos público , onde quase nunca ou nunca há vaga para hospitalizar uma pessoa com um quadro severo esquizofrenia. Agora com essa nova modalidade de cuidados que supostamente é um benificio para o "doente" e logo esse doente que está sendo tratado por esse maravilhoso CAPS ou mata ao seu ser querido que está lhe cuidando ou se mata a si mesmo, e tudo isso poderia ter sido evitado se tivesse havido um acompanhamento hospitalar adequado que chamo de internamento, todo mundo que tem sob seus cuidados uma pessoa com essa patologia, sabe perfeitamente que ela quando está como uma crise severa representa um perigo a sua integridade e as das demais. É muito fácil elaborar leis quitando responsabilidades de cima e delegando a outros .
Ñ faz muito tempo uma médica em Madrid - España , onde todos no hospital sabia que ela padecia de quadro de esquizofrenia , o resultado foi 3 pessoas mortas e 7 feridas , ñ precisa ser psiquiatra e nem certos psicólogos para entender que esse tipo de enfermidade necessita sim de internamento.
Quero, como eu, já disse antes lhe parabenizar pelo seu artigo porque faz uma reflexão muito bem plasmada da realidade de quem tem um enfermo esquizofrênico, e que essa lei ñ é compatível com a nossa realidade, essa lei ñ foi feita para fomentar o bem estar nem do doente e nem de seus familiares ,que vêem sem alternativas e ficam quase tão loucos quanto ao enfermo pois ñ sabemos o que fazer. E depois vem com falácias alguns psicólogos , psiquiatras e quem copiou essa lei.
Un saludo.
Azahara
* Quero pedir desculpas pelas minhas faltas ortográficas.

Azahara · Reino Unido · 1/11/2009 00:08
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