A cada vez que tem negada a permissão de deixar Cuba, seja para comparecer a eventos literários na Itália ou no Brasil, seja para receber o
prêmio Ortega y Gasset, categoria jornalismo digital, na Espanha, ou o
Maria Moors Cabot, prêmio de jornalismo oferecido pela Columbia University nos Estados Unidos, Yoani Sánchez deve se encher de regozijo. A cada episódio do tipo, há intensa repercussão negativa sobre o controle da imprensa praticado pelo regime em Cuba.
Lá, adicionar o sufixo ".cu" a um endereço eletrônico, menos que designar o país de onde provém o site, indica o alinhamento do autor da publicação com o discurso oficial. Há cerca de 200 blogs chapa branca autorizados em Cuba. Por outro lado cerca de 25 blogueiros cubanos independentes desafiam as proibições e atualizam a internet com informações e expressões vindas da ilha, agregadas em revistas eletrônicas hospedadas em outros países, como a
desdecuba.com.
Yoani convive com essa contradição desde que começou a escrever no blogue "
Generación Y" - que se refere à geração cubana nascida nos anos 70 repleta de nomes iniciados com Y, por influência soviética. Sobretudo depois que ele passou a ser traduzido para 17 línguas, o que a tornou uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista norte-americana
Times. Enquanto é impedida de sair de Cuba, seus textos não conseguem penetrar o cerco virtual da ilha e tanto seu blogue quanto o domínio
desdecuba.com são bloqueados para cubanos.
O que não significa uma grande opressão, já que na terra de Fidel o acesso a computadores e a conexões de internet são ainda privilégio para poucos altos funcionários do governo. Por isso que Yoani, na seção ajuda de seu blogue, pede tanto para que turistas em visita a Cuba adquiram os caros cartões de acesso à internet em hotéis e os doem aos blogueiros cubanos, como para que leitores estrangeiros enviem os artigos lidos em
desdecuba por e-mail a alguém que esteja na ilha e possa espalhar a palavra.
É difícil compreender os reais motivos para a censura, já que Yoani não escreve artigos políticos e panfletários, mas faz crônicas sobre as dificuldades recorrentes tanto do bloqueio como das idiossincrasias da politica cubana. A própria escritora, formada em filologia com uma monografia sobre a representação das ditaduras na literatura latino-americana, não se considera opositora ao regime. "Quanto mais escrevo meu blog, mais vejo que não sou eu a opositora. É a realidade cubana que nega o discurso oficial".
No Brasil, o veto à viagem de Yoani para o lançamento do livro
Desde Cuba com carinho (Contexto), mobilizou diversos meios de comunicação e motivou até
discursos no plenário do Senado. Como uma das características mais marcantes de regimes ditatoriais é a indiferença à opinião alheia, tudo que tais iniciativas granjearam foi um lacônico pedido negado.
O livro é uma coletânea de textos publicados em "
Generación Y", acompanhados de uma apresentação escrita por Yoani especialmente para o leitor brasileiro. O lançamento ocorre hoje, quinta-feira, 29 de outubro, às 19 horas, no auditório do jornal O Globo, na rua Irineu Marinho, 39, centro do Rio de Janeiro, durante o evento de debates "Encontros", no qual estarão presentes o deputado Fernando Gabeira (PV), os jornalistas Carlos Alberto Teixeira (O Globo) e Pedro Dória (
O Estado de S. Paulo), e Paulo Uebel, diretor-executivo do Instituto Millenium. Yoani se fará presente por meio de um vídeo gravado.
> Leia um trecho de Desde Cuba com carinho (Contexto)
>Confira o blog de Yoani Sánchez, Generación Y.
>Acesse o site oficial do livro Desde Cuba com carinho (Contexto).
>Tenha acesso a Cuba através do Portal Literal aqui e aqui.
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