Os filamentos da saudade atravessam os tempos
os espaços e as muralhas das convenções sociais.
São bússolas gravadas num dó em contratempos
enrolados na tirania de quietos novelos anais.
São tripas que agitam o pensamento que acorda
a nostalgia morta de entre o urdo dos destroços.
A traslação das imagens que dum eu transborda
até à latitude de então que abre brios e remorsos.
É a música de outrora que por um tempo regurgita
através das dimensões dum destino arquitectado
nas orlas mais profundas dum juízo que se agita.
E se desprende na leitura intercalar da fita
enevoando a representação do existente fado
com dó ou com agrado a trama remota grita.
Fernando Oliveira
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