POEMA AQUÉM DA POROSIDADE
Meu olhar queda retrátil
Quando sorvido pelo silêncio
Do pensar largo.
Meu fazer nem graceja:
Seu sorriso é cênico
E sorumbático: tem sabor de Mastruz com Carqueja!
Minha jocosa verve
Chora quando readquire
A tez, o sumo
Do deserto e do cabaço.
Então o poema
Nem sangra, nem mija, nem filma, nem escarra, nem voa,
Nem clama, nem ama, nem brame: viva a serenidade!
Nem irrompe lágrimas e nem é porosidade.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
ZARPANDO PELAS MESMAS ÁGUAS
Nem chuva, nem bruma, nem sol:
Meu poema são as crianças
Que, com seus pais,
Acossados pela miséria,
Trabalham nas arcaicas fábricas
De carvão
Para que possam semear
Miragens de satisfação
Que ludibriem a fome
Enquanto demoradamente consomem
Uma raquítica nuvem de pão!
Meu poema, afinal, é acerbo:
Caminha abraçado
Á estrada dos versos baldios, estéreis arvoredos!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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