As "Intermitências" me alcançaram (na verdade, foi mais um atingir do que um alcance), quando, em uma manhã de quinta-feira, viajava em um transporte coletivo, na cidade de Belém. Eu era um passageiro, que, destoando dos demais, agarrava-me à leitura de uma folha de papel, que me fora entregue na véspera pelo próprio autor, em minha saída às pressas de Paragominas. Lembro-me, que, naquela correria, disse ao Jorginho que leria o texto na viagem, mas não foi possível fazê-la naquele mesmo dia, daí porque só no outro é que me dei conta dela. Foi um baque, um susto, um surto de emoção. Concluída a leitura, "Intermitências" ficarou comigo, me acompanhou o dia inteiro. Rolei pelo centro da cidade, almocei açaí com peixe frito no Ver-o-Peso, e elas lá, no bolso da minha camisa. De vez em quando me lembrava delas, principalmente quando avistei a baía do Guajará: lá estavam os versos, presos e soltos aos mastros das pequenas embarcações e nas velas das canoas, mas elas podem estar em qualquer e em toda parte. Somente um grande poema pode se fazer presente em todos os momentos de nossa vida. "Intermitências" é isso: um novo linguajar, uma nova estrutura poética, eivada de lirismo e dor, saudade (por que não?). Vi tudo isso. O abismo de minha impertinência, de solidão... Parabéns e muito obrigado.
Américo Leal · Paragominas (PA) · 4/11/2009 18:46