Quem conheceu "Dom Felipo", Esse grande sonhador, Que foi criado no rio, E o rio lhe criou, Brincando nas cabeceiras, Entre tantas corredeiras, Se fez um bom pescador.
Esse caboclo valente, De braços fortes ligeiros, Que tinha o cheiro das águas, Dos corixos pantaneiros, Jamais temeu as pirraças, Dos turbilhões das borrascas, Por ser um bom canoeiro.
Pegava a sua canoa, Nas escuras madrugadas, Para mais um desafio, Com seu anzol e chumbada, E no balanço do rio, Pescava peixes fresquinhos, Prá vender por quase nada.
Era assim o "Dom Felipo", Esse caboclo sagaz, Que também fazia modas, Para as mulheres do cais, Em noite de lua grande, Quando o luar se expandia, Nas águas do Paraguai.
Como era tão bonito, A beleza da harmonia, No dedilhar da viola, Na rima, na poesia, Na solidão da canoa, Com o remo deitado a proa, As lavadeiras sorriam.
Tudo era diferente, Aos olhos das lavadeiras, Quando Felipo cantava, Uma canção da ribeira, Com um sentimento profundo, Que a coisa melhor do mundo, Subia pra ribanceira
Era a cabocla "Ana Rosa", De pele quente e cheirosa, Que nos lábios tinha mel, Como era tão bonita, Essa morena trigueira, De beleza pantaneira, Dos olhos da cor do céu.
Era assim que esse homem, Via a sua doce amada, Quando saía pra pesca, Em mais uma das jornadas, Remando a sua canoa, Em busca de coisa boa Prá vida mais almejada.
tags: Corumbá MS literatura