São as fotografias sujas de caramelo, assim mesmo, com gosto de infância, que me fazem lembrar os seus corações de papel pendurados no móbile da janela da sala. Aqueles que a gente observava fingindo que cada um era um sonho a ser realizado, assim mesmo, como se fossem realizar apenas apontando o dedo para eles.
Ainda me lembro dos sorvetes coloridos que te lambuzavam enquanto você, empolgado, indagava sobre política, esportes e todos esses assuntos chatos. Eu, desinteressada, observava a sua falta de habilidade com o sorvete.
Eram os nossos rodopios, atrapalhados confesso, ao som de algum samba triste que me deixava alegre - os rodopios, não o samba -, assim mesmo como um paradoxo. E também era aquele algodão doce cor de rosa - um real cada - que você comprava, que transformavam minhas tardes.
São estes momentos que guardo em um pote de doces, no armário da cozinha, ou no bolso do casaco quando saio na chuva com o meu guarda chuva amarelo da cor do Sol, só para se destacar no acinzentado dia.
A vida era bem mais simples quando você passava as noites a caçar vaga-lumes comigo. Bem mais simples, quando tudo se resumia em sermos nós. São essas simplicidades que transformo em apenas um abraço, que dou a você para ser guardado, esperando que talvez um dia, ou sei lá, eu volte para essa vidinha besta e bela, mas que era nossa. Só nossa, assim, como os caramelos, corações de papel, sorvetes, rodopios e sambas tristes que alegram.
. TLArruda
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