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"Vícios Ocultos" marca retomada da carioca Miriam Mambrini aos contos
 
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Jaciara Rodrigues, Rio de Janeiro (RJ) · 1/11/2009 · 39 votos · 8
Simão Bacamarte, o alienista, depois de internar uma multidão no hospício, achou mais prático deixar os loucos circularem livremente e recolher para tratamento os lúcidos e sãos, em muito menor número e, portanto, anormais. A tese do extraordinário personagem de Machado de Assis, de que a normalidade está na estranheza, cai como luva na tentativa de reunir, sob um mesmo prisma, os 13 contos de Vícios Ocultos (Bom Texto Editora – Coleção Novo Conto Novo), obra que marca a volta de Miriam Mambrini ao universo dos contos, após três romances e um livro de crônicas.

A visão do vício como apenas uma maneira muito própria de viver – viciosa, porque fora dos padrões – é o passaporte para o leitor mergulhar mais “liberto” nas histórias de Oscar, “homem culto, rico, e heterossexual fervoroso” que roubava brincos excêntricos (“O que vem primeiro? A mulher ou o brinco?, perguntei. “O brinco”, ele respondeu, sem hesitar”), de Agnaldo, o vigia de um clube de grã-finos que é protagonista do conto, mas não do costume “censurável” (“Escarrapachados nas poltronas fundas, quatro alegres velhotes, entre eles o presidente, pitavam um baseado toscamente enrolado, que passava de mão em mão. (...) Pé ante pé, afastou-se dali e retomou a caminhada. Alerta. Sempre alerta), de Clodoaldo, personagem de Nanismo (“Oscilava sobre as pernas curtas com um jogo de corpo lateral que me fascinou e distraiu de tal forma que esqueci de diminuir o ritmo de meus passos, e quase a alcancei”). O predomínio do ponto de vista masculino é uma marca da autora.

Miriam expõe a todos, “nus e crus, exatamente com o leitor quer vê-los”, assinala o escritor Alexandre Brandão, na orelha da obra. E “além de nos contar bem suas histórias de excessos, acrescenta a este livro um pequeno detalhe cujo efeito surpreende: ela registra diversos diálogos travados com escritores de sua relação”, entre os quais João Silvério Trevisan (em Débito: “Quem sobrevive se responsabiliza pela memória dos mortos; quanto mais sobrevivente for, mais mortos terá”), Nilma Lacerda, Luis Ruffato e Adriana Lisboa (em O colecionador: (...) “A boa notícia é que, entre os extremos, existe sempre um porto de olhos fechados e respiração pausada (...)”.

A AUTORA

Miriam Mambrini é carioca, formada em Línguas Neolatinas pela PUC/RJ. É autora de O baile das feias (contos, Obra Aberta, 1994), Grandes peixes vorazes (contos, 7Letras, 1997), A outra metade (romance, 7Letras, 2000), As pedras não morrem (romance, Bom Texto, 2004), O crime mais cruel (romance, Bom Texto, 2006) e Maria Quitéria, 32 (crônicas, Bom Texto,2008). Participou das antologias de contos: Doze autores e suas histórias (Bom Texto, 2003), Contos de escritoras brasileiras (Martins Fontes, 2003), Tempos de Nassau: um príncipe em Pernambuco (Bom Texto, 2004), 30 mulheres que estão fazendo a literatura brasileira hoje, organizada por Luiz Ruffato (Record, 2005); O livro dos sentimentos (Guarda-chuva, 2006), entre outras. Colaborou na revista Ficções e ganhou vários prêmios literários. Dois de seus livros - As pedras não morrem e O crime mais cruel - foram selecionados pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE).

tags: Rio de Janeiro RJ literatura autora-literatura-contemporanea-lancamento-contos


 
Sou suspeito, pois escrevi a orelha do livro. Porém, escrevi a orelha porque gostei dele. Então não sou mais suspeito, mas sou, isso sim, pessoa indicada para falar dos Vícios Ocultos. E digo: muito bom, não percam.

Alexandre Brandão · Rio de Janeiro (RJ) · 29/10/2009 19:41
Miriam Mambrini nos desvenda os vícios, pequenas imperfeições, em contos que falam de anãs, casais que decidem o destino um jogo de dados, de um homem que não passa sem ler necrológios. A boa noção de timing faz da narrativa uma viagem prazerosa, uma leitura num só fôlego.

marilena moraes · Rio de Janeiro (RJ) · 29/10/2009 20:29
Já não é nenhuma novidade que este seja mais um sucesso de Miriam Mambrini, agora de volta aos contos. Eu que sou leitora de diversos outros títulos, estou agora viajando pelos vícios ocultos... Excelente!

Patrícia Viegas · Rio de Janeiro (RJ) · 30/10/2009 16:04
Acabo de ler essa excelente obra. Um passeio pelos mais inusitados vícios, capazes de prender o leitor por todo o livro, sempre na expectativa do que será abordado no próximo conto. Muito bom!

Marília Ribeiro dos Santos · Rio de Janeiro (RJ) · 30/10/2009 16:37
A expressão "vícios ocultos" definitivamente nos remete à idéia de coisas intrigantes, tal como são os contos de Miriam nesse livro, que estou tendo o prazer de ler.

Daniela Braga · Rio de Janeiro (RJ) · 30/10/2009 16:54
“Vícios Ocultos” é um livro para deleite. A prosa instigante cativa e nos faz mergulhar naqueles versos de Caetano: “De perto ninguém é normal.
Os 13 contos de Miriam mostram o gozo e o assombro de profanar os hábitos da “normalidade”. Personagens que transitam em linhas tortas, em desvios e leves deslizes... Ao fim e a acabo, personagens que se revelam humanos.


Cristina Zarur · Rio de Janeiro (RJ) · 30/10/2009 21:58
O que a gente não é capaz de fazer pelos amigos!? Consegui me cadastrar, foi um feito, em internet sou quase analfabeta, pra mim , trata-se de lidar com o transcendental, mas o livro de Miriam é leve, de leitura gostosa, ela sabe escrever, um livro de Miriam é um presente que ela oferece ao leitor. Sou suspeita, fiz um epígrafe...

vera moll · Rio de Janeiro (RJ) · 31/10/2009 09:43
Talvez também eu seja suspeito, porque entre os meus pequenos vicios adquiridos está a satisfação de ler os escritos de Miriam Mambrini. Mas não é um vício oculto...
Recomendo "Vicios Ocultos", leitura fácil e cativante, com desfechos sempre inesperados. O assunto é sério e tratado com maestria pela escritora. Quem começa a ler dificilmente larga o livro. Está de parabés a Miriam pelo livro - e nós pelo prazer de ler!

Chicão · Rio de Janeiro (RJ) · 3/11/2009 13:01
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