Publicado originalmente em 30/05/2008.
Pesquisa encomendada pelo Instituto Pró Livro indica que o brasileiro lê 4,7 livros por ano, e mulheres e jovens leitores lêem mais. Documento será publicado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em agosto, durante a Bienal do Livro de SP.
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Instituto Pró Livro divulgou na última quarta-feira, 28, em Brasília, os resultados da segunda edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pelo Instituto e pelas entidades do livro CBL, Snel e Abrelivros. O documento procura analisar o comportamento dos leitores brasileiros.
Os principais itens abordados permitem identificar o perfil do leitor de livros, suas preferências e motivações para ler, fatores que contribuem para a formação do leitor, o perfil do não-leitor, possíveis barreiras e os indicadores de acesso ao livro.
A pesquisa foi realizada pelo Ibope Inteligência, que entrevistou mais de 5 mil pessoas em 311 municípios brasileiros em todos os estados da federação e no Distrito Federal. Foi analisado o universo a população com 5 anos ou mais (estimativa de 172.731.959 pessoas), alfabetizadas ou não.
O brasileiro lê 4,7 livros por ano e mulheres e jovens leitores lêem mais
O brasileiro lê, em média, 4,7 livros por ano. Este é um dos principais indicadores a que chegou a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. O estudo constatou que somente a leitura de livros indicados pela escola, o que inclui os didáticos, mas não só, chega a 3,4 livros /per capita/. A leitura feita por pessoas que não estão mais na escola ficou em 1,3 livro por ano.
Em algumas regiões, esse número é ainda maior, como é o caso do Sul, onde foram apurados 5,5 livros lidos por habitante/ano. Em seguida, vem a região Sudeste (4,9), o Centro-Oeste (4,5), o Nordeste (4,2) o Norte (3,9). Os leitores lêem mais nas grandes cidades (5,2 livros por habitante/ano) do que nas pequenas localidades do interior (4,3 em municípios com menos de 10 mil habitantes). A pesquisa também confirma que as mulheres lêem mais que os homens – 5,3 contra 4,1 livros por ano. Os jovens leitores ganham destaque na pesquisa. O público entre 11 e 13 anos chega a ler 8,6 livros por ano. De 5 a 10 anos, lêem 6,9 e de 14 a 17 anos o volume é de 6,6 livros por ano.
Essa média sobe entre os que possuem maior escolaridade. Entre aqueles que possuem formação superior, ela é de 8,3 livros/ano. Esse número é de 4,5 livros para quem tem ensino médio completo, 5 para quem cursou entre 5ª e 8ª série do ensino fundamental e 3,7 para quem tem até a 4ª série.
Retratos da Leitura também constatou que, apesar dessa média de leitura, os brasileiros não compram muitos livros: 1,1 livro adquirido por ano (as compras no mercado, por sinal, aparecem empatadas com os empréstimos particulares no quesito principal canal de acesso aos livros). O Brasil possui 36 milhões de compradores de livros e, entre eles, a média é de 5,9 livros exemplares adquiridos por ano.
Pesquisa será publicada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo para lançamento na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 14 a 24 de agosto. Mas já está disponível no site do Pró Livro. Baixe aqui.
"Os dados apresentados pela pesquisa traçam o mais completo perfil do leitor brasileiro, o que faz dela uma ferramenta de fundamental importância para nortear a formulação de políticas públicas visando a formação de leitores e a democratização do livro. Além disso, é uma referência para todos os segmentos do mercado editorial", afirma Hubert Alquéres, diretor-presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
Por se tratar de uma nova metodologia desenvolvida pelo Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc/Unesco), que incluiu crianças e adolescentes com menos de 15 anos e pessoas com menos de três anos de escolaridade, os novos números não podem ser comparados com aqueles apurados na primeira edição, em 2000. Para efeito de estudo sobre o comportamento leitor da população, o Ibope separou uma amostra semelhante (população acima de 15 anos, com mais de três anos de escolaridade e que leu pelo menos um livro nos três meses anteriores). Nesse grupo – que não dá para ser extrapolado para o conjunto da população – o índice cresceu de 1,8 para 3,7 por habitante.
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