Entrar
Novo no Literal? Registre-se
POR QUE LEMOS TÃO POUCOS LIVROS?
 
1
Betusko, São Paulo (SP) · 17/4/2009 · 131 votos · 6
Perto do meu escritório, no centro de São Paulo, conheço um japonês, Sr. Takeshi, dono de uma banca de revistas que vende somente livros usados. Ali me abasteço toda a semana de livros para mim, para minhas filhas e, sobretudo, para minha mãe, que aos 77 anos, lê um livro por semana. Na semana retrasada comprei o Caçador de Pipas por R$ 7,00. Este livro está na lista da Veja em 1° lugar entre os mais vendidos. Para minha filha mais nova comprei para trabalho de escola, um exemplar de Memórias Póstumas de Brás Cubas - do nosso melhor escritor de língua portuguesa - Machado de Assis - por módicos R$ 3,00 (edição popular). Para minha filha mais velha, adquiri por R$ 5,00 o livro O que toda mulher Inteligente deve saber de Stevem Carter, também na lista dos mais vendidos. E finalmente, para minha mãe, um romance destes açucarados, com 480 páginas cujo título me fugiu, por R$ 5,00. Ou seja, comprei quatro livros por R$ 20,00, o que lança por terra a desculpa de que livro é caro.
Toda cidade, por minúscula que seja, tem um sebo. Quando em férias, em Beberibe - interior do CE - comprei Os Diálogos de Platão em uma banquinha que ficava no meio de uma feira destas que tem de tudo. O curioso é que ao lado da referida banca havia um vendedor de DVDs piratas, a R$ 5,00 cada - e como vendia o danado! Nos trinta minutos que fiquei na feira, o sujeito vendeu, aos berros, mais de seis mídias. Ou seja, dinheiro para CD pirata da banda "Gaviões do Forró" tem, para comprar um livro do Jorge Amado, não. Dinheiro para garrafa de caçacha Sapupara tem, para um exemplar de contos brasileiros, não.
Tenho nítida certeza de que os grandes vilões desta história são os pais que não incutiram nos filhos o gosto pela leitura. A falta de dinheiro não se justifica, pois as pessoas gastam com óculos, com roupas, com mini aparelhos de MP3, CD de Funk, com pacotes e pacotes de salgadinhos, com correntinhas, etc... Mas não gastam com livros. Só aqueles que realmente tem amor ás letras e que o fazem. As pessoas, de maneira geral, consideram os livros como o supérfluo do supérfluo.
E o que dizer das Bibliotecas? Poucas pessoas fazem uso desta instituição. O quê? Eu vou deixar de ver fulaninha tomando banho no Big Brother para ler Dostoiewski ? Você está doente!
Anos atrás ajudei a montar uma biblioteca no conjunto residencial onde moro. Em dois anos conseguimos 4.000 exemplares - a maioria clássicos da literatura. Perguntem sobre a rotatividade dos livros? Saem quatro livros por mês para 1.500 moradores - e olha que hoje temos romances, auto-ajuda, técnicos. Assim, justifico a falta de leitores por falta de formadores de leitores. É uma questão cultural, mesmo. Ler dá trabalho, exige cultura mínima e o povo, sob justificativas mil, não quer saber de ter que espremer os neurônios.
Lembro-me até hoje do primeiro livro que ganhei, aos sete anos de idade de minha mãe. Era um livrinho de vinte páginas, com letras enormes e gravuras magníficas. Devorei-o em 15 minutos e o reli dezenas de vezes até adormecer com o presente nas mãos. Daí para frente, não parei mais e tive fases em que li 15 livros por mês. Hoje, passei o gosto para minhas filhas (17 e 21 anos) e minha casa é repleta de livros e revistas em todos os compartimentos (inclusive nos banheiros). Até no quebra-sol do meu carro tem livro.
Assim, devo a paixão pela leitura á minha mãe e é por isso que digo que os pais são fundamentais. Nem a Escola consegue inocular o vírus da leitura, a menos que o professor seja um amante dos livros. Quando muito, as crianças conseguem ler, sem entender aqueles clássicos chatíssimos para a idade e tomam ojeriza por livros. Agora, quando um filho vê seus pais lendo, pode ter certeza que será um leitor também.
Por fim, gostaria de comentar sobre mais uma facilidade para leitura, são os livros eletrônicos - os tais dos e-books- Tenho mais de 500 deles no meu Note-book. A maioria baixados da Internet gratuitamente - são coleções de Herman Hesse a José Saramago. Assim, meus amigos, só não lê quem tem preguiça. E tenho dito!

Roberto Lopes Jesus


tags: São Paulo SP literatura


 
Amigo, eu tenho centenas de livros, que leio várias vezes, é verdade que explorando se encontra livros em conta, mas continuama ser caros, basta visitar os sites ou as livrarias.

Na minha ideia, o ministério da cultura devia comprar para os mais necessitados, não só para as escolas. Existe aqui um conceito a descobrir.

Abraços e votação pesada.

Fernando Oliveira

Fernando Oliveira · França · 17/4/2009 02:38
Concordo que o preço do livro nas livrarias é caro, entretanto, o que afirmo é que a falta de interesse pela leitura é o tema central. Se alguém entrar em um Shopping Center hoje verá as lojas de celulares com filas quilométricas e as livrarias, vazias.

Abraços e obrgado pelo comentário.


Betusko · São Paulo (SP) · 17/4/2009 08:41
Concordo c/ vc em gênero, número e grau."Qdo eu era criança pequena lá em Barbacena", morava no interior de Minas, numa cidade tão pequena que tinha apenas uma livraria que vendia só os didáticos. Foi lá q meu pai comprou meu primeiro livro , a pedido da professora da primeira série e fiquei tão encantada que ainda tenho suas imagens até hoje na memória. Alguns anos depois descobri a biblioteca pública municipal, virei piolho de lá e nunca mais larguei os livros .Em toda cidade há uma biblioteca pública é só aproveitar.Um abraço

Ceiça · Goiânia (GO) · 22/4/2009 12:50
Betusko,
My brother,
Votado e lido.
Abono os comentários...
Um abraço.
Arimatéia.
www.arimateia.com

Arimatéia Macêdo · Gurupi (TO) · 28/4/2009 18:17
Betusko,
Ótimo texto! Defendemos argumentos semelhantes para duas áreas que como já disse antes, especialmente no Brasil são subjugadas...
Eu, como uma aficionada por livros concordo com todos os argumentos do texto e assino embaixo. Fui influenciada por um tio querido que me dava pilhas de livros de presente de Natal, aniversário, etc, quando criança.


Daniela Blanco · São Paulo (SP) · 15/5/2009 21:33
Meu ímpeto inicial é concordar na íntegra, mas refletindo um pouco sem a tentação de julgar valores alheios, fico pensando... eu leio porque sinto prazer, porque penso que a leitura me constrói, também porque aprendi a gostar quando criança, mas muito mais por ter uma escala de valores onde o livro representa mais para mim do que a grife do calçado. Então, a questão talvez ultrapasse o custo do livro novo x o baixo custo nos sebos. Parece-me que temos aí um contexto mais amplo de escalas de importância distorcidas e evoluir requer abordar muitos aspectos, onde, claro... o estímulo aos pequenos é fundamental.

Maurem Kayna · Guaíba (RS) · 6/8/2009 17:22
Adicione seu comentário: para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Portal Literal, e adicione seus comentários em seguida.



visite nossa seção de perguntas mais freqüentes
                                 
Termos de uso | Expediente | Privacidade | Alerta
Salvo indicação em contrário, todo o conteúdo (c) 2009 Portal Literal e seus autores