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O Problema da Literatura Brasileira
 
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Marcia Carolina, São Paulo (SP) · 24/6/2009 · 153 votos · 17
Sei lá quem tirou!
Pensando em literatura contemporânea
No Brasil, escritor bom é escritor morto. Daí fazem novela com seus romances, e os governantes publicam seus livros de graça, para as crianças serem obrigadas a decorar alguns versos (ainda me lembro da minha infância: "tinha uma pedra no meio da caminho" era minha tabuada de português).

No Brasil, escritor bom é que publica pela Companhia das Letras, pela Objetiva, pela Record, pela Rocco, pela Sextante, pela Brasiliense, ou pela Novo Século, porque o resto é tudo pago.

No Brasil, escritor de verdade é quem ganha o Jabuti, o Juca Pato, o Asabeça, o Portugal Telecom, o Cruz e Souza, e Paulista de Literatura, o Prêmio da Academia Brasileira de Letras e também até aquele ralinho da UBE.

No Brasil, pode-se listar menos de dez escritores que se encaixam nestes padrões até agora descritos. Três destes estão (ou parecem estar) aqui no Portal Literal (Zuenir Ventura, Lygia Fagundes Telles e Rubem Fonseca)... embora este site tenha mais de 1000 e o Autores.com.br tenha mais de 4.000 publicantes registrados (é só ir lá na lista de membros e ver) e além de outros sites de autopublicação.

No Brasil, existe uma fila de escritores desempregados chamada: Mesa do Editor, onde os escritores ficam um ano esperando que algum editor se interesse em ao menos ler uma sinopse de sua obra, e só os que respondem são os editores daquelas editoras mercenárias, que cobram para publicar e dizem estar "realizando o sonho do autor".

No Brasil, não basta escrever bem... tem que ter ainda padrinhos nos jornais (para fazer uma notinha sobre um lançamento do livro), nas revistas (para ser destaque num canto de página qualquer), nas universidades (para ser tese de mestrado e ter adolescentes espinhudos comprando seus livros para estudar... obrigados!)...

No Brasil, é vergonhoso se dizer escritor sem ir no Programa do Jô. É vergonhoso se matar durante um ano para reunir alguns poemas ou escrever um romance e ter que ficar mandando originais para Deus e o mundo, SEM NEM AO MENOS TER FÉ NA PUBLICAÇÃO E SEM ESPERAR QUE OS EDITORES DIGAM OS MOTIVOS QUE OS FIZERAM "NÃO PUBLICAR" SEU LIVRO. É vergonhoso saber que um professor, só por ser professor... e mesmo se for de matemática... tem já um requisito a mais do que um cara que só sabe escrever boas histórias e mostrar a alma humana com as mais profundas palavras.

No Brasil... um país que ainda precisa ser alfabetizado e que precisa fazer isso às custas de sua literatura interna, mas que só o faz de best sellers estrangeiros (Eclipse, Crespúsculo, Harry Potter, o Código Da Vinci e outras idiotices sem profundidade e conhecimento algum além de entretenimento)... Brasil... este é o país que fazemos: com escritores publicando pela internet e uma meia dúzia de velhos barrigudos, formados e publicados pelas grandes editoras... que não vendem nada (nem mil exemplares), mas que ainda são grandes (são disputados como em licitação), e os únicos verdadeiros escritores, segundo os jornais, as revistas e os meus professores do curso de jornalismo.

Desculpe... estou enojada com a literatura brasileira... que não abre os braços para os nossos novos escritores, mas sim para uma mulher que sonhou com vampiros e escreveu um livro... ou um outra devaneante que imaginou um jovem bruxo... e até com um idiota que acha que que Jesus teve filhos e que talvez... que ele era mulher.

A literatura brasileira está ridicularizada... e quem faz isso é somente os leitores e os professores... que enterram ela, ensinando somente o passado.

A Acadenia Brasileira de Letras é um cemitério de dinossauros que publicaram, cada um, quarenta livros que nós nem sabemos o nome.

Nas escolas aprendemos somente a odiar a literatura... aquela porcaria antiquada, cheia de palavras difícieis do passado... ou outras porcarias do presente, cheias de palavrões, violência e sem nexo ou profundidade alguma para a existência humana.

Ah... já ia me esquecendo: No Brasil poeta só aparece na Época para falar do filho problemático... e só faz a diferena se lança algum "ISMO": Concretismo, Simbolismo... Realtragismo...

Desculpe: estou realmente enojada com a literatura. Estou condenada a ler escritores mortos.

tags: São Paulo SP literatura


 
Não adianta falar que eu exagerei... porque eu não menti!

Marcia Carolina · São Paulo (SP) · 22/6/2009 19:18
Márcia:
Parabéns!
O que você relata é a pura verdade...
Gostei
Abs
Gustavo Dourado
www.gustavodourado.com.br

gustavodourado · Brasília (DF) · 22/6/2009 23:03
Márica, não exageraste em nada. Muot bem lembrado dos autores que são referenciados após seus livros virarem novelas. Vamos a um exemplo, é Rubem Fonseca, na cidade natal dele poucos o sabem que ele é dela ( daqui), não existe uma biblioteca píublica fazendo referencia ao seu nome, nome de rua, ou se ensina sobre o mesmo no ensino fundamental ou básico...
Impressionate? Nâo, isso é Brasil.

Lilian Gonçalves · Juiz de Fora (MG) · 23/6/2009 00:28
Oi, Marcia Carolina,
Seu artigo é um desabafo realmente crítico -- ou que nos leva a ser críticos. E posso dizer -- infelizmente -- que não é exagero. As editoras grandes e médias realmente procuram somente best-sellers e parecem reduzir seu critério de avaliação a seguir número de exemplares vendidos no exterior. Mas acho que existam nichos, sim, para um escritor estreiante procurar. Há que se focar nas editoras pequenas. Procure editoras que publiquem seu gênero dentro da ficção e converse com os editores responsáveis. Não busque as editoras grandes, é realmente perda de tempo.
Você cita a Novo Século. Ela é uma das editoras que têm apostado no escritor estreiante (aliás ela parece ser muito séria e profissional em sua produção e distribuição), mas há também uma parte dela em que o autor pague uma fração da produção do livro. Mas isso não é uma opção ruim para o novo escritor quando -- e, por favor, veja que eu tenho muitas restrições a isso -- o valor que o escritor paga é baixo, a editora arca com mais de 2/3 dos custos, a editora tem distribuição de livros em livrarias (seu livro fica na livraria fisicamente), há acerto de direito autoral, o autor NUNCA paga frete, e outros fatores mais.
Estamos, como grupo, pensando no escritor estreiante e pensando em como valorizá-lo. A questão é complicada e creio que toda ajuda é muito bem-vinda.
Acho que desabafar é ótimo, tranquiliza-nos, cria empatia e chacoalha o leitor. Mas temos também de pensar em soluções. Não temos as respostas, mas temos muitas perguntas.
abraço e saudações!

Ofício Editorial · Campinas (SP) · 25/6/2009 11:24
Muito bom o seu artigo. Mas a pergunta que todos nos fazemos ao terminar de lê-lo é: qual é a solução? Uma questão difícil de responder, com tantos entraves ao nosso redor. Mas acho que um caminho seria partir para uma produção independente e usar a Internet para divulgar a obra. Lembrem-se de que Susan Boyle era uma desconhecida até ganhar fama na Internet. Tem um amigo meu que pode servir de exemplo para o que estou tentando propor: ele conseguiu um patrocinador para o seu livro, que bancou todo o projeto gráfico, incluindo a impressão, e fez diversas parcerias com espaços para lançar o livro em SP, RJ, DF e outros lugares. O interessante dessa história é que ele vende o livro somente pelo blog dele e o envia por Sedex aos leitores. Parece que tem dado certo. Logicamente, como ele tem uma assessoria de imprensa junto com a esposa, foi relativamente fácil encontrar veículos para divulgar o livro. Contudo, acho que seria uma saída interessante partir para esse caminho. Se quiserem conhecê-lo, acessem www.cuecasnacozinha.com
Abraços a todos,
César

César Birindelli · São Paulo (SP) · 25/6/2009 13:18
Márcia,
vooê ganhou a minha solidariedade e o meu voto.

Zacarias Martins · Gurupi (TO) · 25/6/2009 15:10
Sábias palavras Márcia Carolina!!!

Patricia Franconere · São Paulo (SP) · 25/6/2009 16:34
Seu texto tem razão em apenas um aspecto, direi o meu ponto de vista adiante, mas em primeiro lugar gostaria de tecer considerações sobre uma série de equívocos que você enumera. Você diz que escritor bom é escritor morto porque se pode publicá-lo de graça. Saiba que apenas 75 anos após a morte do autor é que sua obra pode ser publicada sem que se precisem pagar direitos autorais. A respeito de se fazerem novelas, estão aí a Ligia Fagundes Teles, o Zé Rubens entre outros.

Outro ponto nebuloso em seu artigo é sobre os escritores novos. Há uma série deles publicados por editoras grandes e pequenas, cito nomes que me veem aleatoriamente, sem qualquer ordem de valores: Marcelo Moutinho, Adriana Lisboa, Noll, Marcelo Mirisola, Cuenca. Cíntia Moscovicz, Ronaldo Correia de Brito, Daniel Galera, Nazarian, Alexandre Brandão, Ieda Magri, Maria Eloá; isso sem levar em conta Raduan Nassar, Per Johns, Milton Hatoun, Cristovão Tezza. Há muitos outros, mas tomaria muito espaço. Há dois bons que já morreram: Rawet e José Agripino de Paula; talvez você não os conheça.

Acho que você não tem culpa do que diz, porque está por demais presa ao cânone literário escolar. E devido ao fato de os professores ganharem pouco e terem de muito trabalhar não têm condições de se atualizarem quanto aos novos lançamentos. Não faço parte de editora alguma, mas elas são empresas como quaisquer outras e culpá-las seria diminuir ainda nossa capacidade de incrementar a leitura. Você cita duas vezes a cultura de massa (TV) e esquece que aí está um dos grandes problemas que temos nos dias de hoje, porque às emissoras de televisão (que são empresas comerciais, logo com fins lucrativos) não interessa a formação do leitor, pois lhe tiraria a audiência. Logicamente que não estou me referindo às TVs educativas.

Sua revolta se mostra ingênua, até mesmo quando você se volta contra a ABL; ali, nos dias de hoje, há iniciativas para incrementar a cultura e aumentar o público leitor. Acredito que qualquer um que se proponha a tornar-se escritor, a partir do momento em que tenha um bom texto, conseguirá publicar; às vezes, o primeiro livro por conta própria, mas depois acabará por ser descoberto e se tornará conhecido. Tenho feito resenhas para esse portal e para jornais, tanto de livros brasileiros como de traduções, posso afirmar que nossa literatura não fica atrás de nenhuma outra.

O que mostra certa perspicácia de sua parte é apontar a indústria que se criou com o objetivo de publicar obras pagas; isso realmente existe, e vai a ela quem acha que pode pagar, ou não tem paciência para explorar as brechas e conseguir publicar ao menos por uma editora que faça o livro ser comercializado.

Quando você diz que está enojada com a literatura, não escuto isso como uma revolta contra os bons escritores de língua portuguesa, mas devido à insatisfação com os agentes culturais. A solução para que todos possam publicar seus livros estaria na formação e aumento do público leitor. Agora, como fazer isso? Há várias propostas e soluções em muitas instâncias e seria bom que todos nós estivéssemos a par delas.

Quanto aos livros que você cita, que na verdade são best-sellers, eles existem traduzidos para muitas línguas, isso faz parte da cultura como mercadoria. Para entender do assunto seria bom estudar melhor Walter Benjamin e até mesmo a Escola de Frankfurt. Se você é autora, continue, não desista.

Um grande abraço.

Haron Gamal · Rio de Janeiro (RJ) · 25/6/2009 16:51
Eu pessoalmente achei o texto uma grande bobagem, beirando o recalque.

Existem ótimos autores brasileiros contemporâneos, assim como na ABL existem acadêmicos com obras valiosas e vivas ao lado de outros que estão ali apenas por prestígio. Existem bons autores mortos e maus autores vivos, e vice-versa.

Eu realmente não consegui entender o raciocínio(?) do quarto parágrafo. Para começar, nenhum dos três citados estão mortos... Então não consigo entender porque eles estariam entre os tais dez autores mortos, editados pelas citadas editoras e laureados com os prêmios listados.

Acho uma grande falta de cortesia com vários autores contemporâneos dizer que não basta escrever bem, tem que ter padrinho.

E finalmente, pode ser entretenimento, mas quando li Harry Potter para os meus filhos, achei bastante divertido. Ler também é diversão, não precisa ser nada pernóstico nem pretensioso para ter seu valor.

Condenar best-sellers por serem best-sellers é querer restringir a literatura a um gueto dos iniciados. Nem tudo é James Joyce, nem tudo precisa ser Thalita Rebouças.

E o mais impressionante é ter tanta gente que achou muito bom o artigo e sábias as palavras. O que me leva a crer que o problema da literatura brasileira são os leitores...

Ibitu Biguá · Rio de Janeiro (RJ) · 25/6/2009 19:09
Primeiro: Lilian, sabe que uma vez pensei em escreve para a Secretaria de Cultura de Juiz de Fora perguntar se eles estão esperando o Rubem Fonseca morrer para colocar uma biblioteca com seu nome. Mas esta biblioteca terá o nome de algum figurão. A Literatura Brasileira tem o nome de Rubem Fonseca! Isso sim é importante.
E este artigo é um desabafo mal escrito, na minha opinião. Tudo bem, a situação do escritor é esta, mas todos os bons escritores passaram por isso antes de lançarem seu primeiro volume. Perguntem ao Rubem Fonseca como foi para conseguir publicar seu primeiro livro. Ao Dalton Trevisan, Lygia F. Telles, Scliar...
Agora imagine a situação dos poetas.

marcioafsouza · Belo Horizonte (MG) · 25/6/2009 23:00
nossa, você formou em Letras na Usp e fala isso?
Eu me formei numa faculdade particular, fiz um TCC sobre o Mandrake, de Rubem Fonseca sem colocar um "pós-moderno, pós-modernismo" no texto inteiro...(e olha que minha orientadora mal conhece Rubem Fonseca; ela ficou doida comigo quando eu disse: professora, não se compara Rubem Fonseca ao Mário de Andrade (isso é outra coisa); ela queria tanto que eu falasse em Macunaíma. Estudei a questão do herói literário.)

Li tudo da nossa literatura durante o curso, além de estudar...
O que você fez durante o curso, aí na USP?

marcioafsouza · Belo Horizonte (MG) · 25/6/2009 23:11
Me fez levantar da cadeira e pensar no que estamos fazendo! Ou melhor, no que NÃO estamos fazendo!
Mas não acredito que o que as pessoas leem hoje seja de todo ruim, o gosto pela leitura está nos acontecimentos, no que as pessoas esperam, querem uma literatura rápida de palavras simples, literatura que todos possam entender, os romances citados fazem ou fizeram sucesso, e pergunto-me o motivo para tanto, não é difícil encontrar a resposta quando se depara com pessoas de todos os gêneros (*se é que posso classificá-las assim), muitas mesmo, lendo ou relendo obras estrangeiras.O que temos hoje é uma literatura que necessita ser explorada, vista, observada por todos, mas o fato é que nem todos estão com as atenções voltadas para essa "nova" literatura, temos SIM, bons escritores hoje, que são - digamos - Bem aproveitados, o problema é que as pessoas estão com olhos em outras informações.A solução para o tal problema da literatura... É simples, NÓS leitores precisamos ir atrás do que é certamente bom na literatura brasileira. Por vezes é preciso criticar, SIM! É!
Mas após refrescar a cabeça com tantos debates e/ou opiniões lançadas, seria ótimo divulgar ou explorar o que temos por ai.As informações estão praticamente em todos os lugares só é preciso - PARAR PENSAR E DESFRUTAR!

Raphael Alfandary · São Paulo (SP) · 26/6/2009 14:15
Pessoal, o menu é farto e o universo, infinito. Está em todos os botiquins! Só temos que usar a inteligência e a criatividade.
abs.MF.

Milton Filho · Ribeirópolis (SE) · 31/7/2009 15:18
Seu texto soa mais como um desabafo.
Alguns pontos estão incoerentes, faltou algumas pesquisas para afirmar as argumentações e generalizações.
Fiz faculdade de letras e agradeço meus professores de literatura por me apresentarem os autores contemporâneos, ou seja, há professores comprometidos.
No mais faço minha as palavras do Haron Gamal.
Abraços

Tatiane · São Paulo (SP) · 31/7/2009 18:56
Existem bons autores, vivos e publicando. Acredito nisso. Sobre os editores recusarem autores, bem... infelizmente, muitos autores são ruins mesmo.

No caso da minha editora, que na verdade é uma ONG (www.editoraplus.org), os autores só pagam a despesa do ISBN para publicar. Nossos livros são todos eletrônicos, inclusive com versões para leitura em celulares e e-readers e podem ser baixados de graça. Como não temos a pressão do lucro, podemos publicar de tudo um pouco - dentro de critérios editoriais, o que sempre é bom para manter o catálogo saudável...

Enfim, existem alternativas. Mesmo.

Editora Plus · Porto Alegre (RS) · 1/8/2009 00:28
Todo desabafo é equivocado justamente porque a pessoa diz com a voz da emoção, e não da razão.

Você não mentiu, mas generalizou e quase me incluiu nessa lista... mocinha inteligente.

Hiago · São Paulo (SP) · 1/8/2009 19:52
Belo arrazoado (no sentido brasileiro da palavra). votado. Abraços, Pedro.

Tânia Du Bois · Itapema (SC) · 6/8/2009 14:23
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