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Morre Valêncio Xavier
 
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Bruno Dorigatti, Rio de Janeiro (RJ) · 8/12/2008 · 46 votos · nenhum
  
Benett
Xavier, por Benett (http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/salmonelas)
Ele era paulistano, mas afirmava viver em Curitiba há 500 anos. Foi o principal escritor a utilizar em seus livros fotografias antigas, recortes de jornais, cartões-postais e ilustrações que ajudavam a narrar suas estórias, junto com as palavras. A mais conhecida delas foi O mez da grippe (1981), que aborda o período da gripe espanhola que assolou a capital paranaense, entre outras cidades brasileiras, em 1918.

Os obituários e notícias sobre seu falecimento, às 11h30 da última sexta-feira, 5 de dezembro, no Hospital São Lucas de Curitiba, devido a um derrame cerebral e parada respiratória, têm comentado que o verdadeiro e merecido reconhecimento sobre seu trabalho ainda está por vir.

Essa polifonia bem humorada de Xavier pode ser conferida na edição revista e ampliada de O mez da grippe e outros livros, lançada em 1998 pela Companhia das Letras, que reúne outros quatro livros. Lançou ainda, pela mesma editora, Minha mãe morrendo e o menino mentido (2001) e Remembranças da menina de rua morta nua e outros livros (2006), este, o último publicado em vida. Pela Publifolha, lançou Crimes à moda antiga (2004).

Em depoimento a Folha de S. Paulo, o escritor e editor Joca Reiners Terron falou sobre Xavier. "Eu inventei a editora para publicar os livros dele". Pela Ciência do Acidente, Terron editou Meu 7º dia. "O trabalho do Valêncio é totalmente singular, ninguém fez o que ele Valêncio Xavier fez na literatura", afirmou Terron. Há pouco menos de uma década, Xavier entregou à Joca uma novela inédita, O corpo do sonho, que permanece não publicada, como afirmou à Gazeta do Povo. “Eu queria editar, mas não tive como fazer isso. Então, bati em várias portas, em diversas editoras, mas ninguém se interessou. Será que agora alguém terá interesse em viabilizar essa obra?”, indaga Joca, que se tornou amigo do escritor. "Não entendo, não descobriram a obra dele como deveriam. Em Curitiba há uma certa frieza em relação a ele e eu acho que a cidade somente reflete uma frieza que o Brasil tem", disse Terron.

Além de escritor, Xavier gostava muito de cinema, onde se arriscou como diretor, assistente de direção, montador, roteirista e consultor. Dirigiu Caro Signore Feline (1980), vencedor do prêmio de melhor filme de ficção na 9ª Jornada Brasileira de Curtas-Metragens. O crítico José Castello inclusive relaciona as paixões de Xavier em texto publicado no jornal literário Rascunho, em abril de 2001. Ele “escreve como um cineasta: recorta, ilumina, acopla, monta. É do contraste, da surpresa, da assimetria, que suas palavras arrancam força. Elementos que se deslocam, que se enfrentam, que saltam uns sobre os outros, que se comem, como num tabuleiro de xadrez. (...) Ele tem uma visão larga, audaciosa, da literatura, que escreve para desafiá-la, que com ela faz o que bem entende – e, agindo assim, exerce como poucos aquilo que há de mais sagrado para um escritor, que é sua liberdade.”


# Mais Valêncio Xavier #

> 2 X VX. Por Joca Terron

> Leia conto "Estranguladores da Fé em Deus", de Valêncio Xavier, do livro Crimes à moda antiga (Publifolha)

> Valêncio, o furioso. Por José Castelo

> Àquele camarada multiplot. Por Luci Collin

> Valêncio será tema de documentário


> Estudos sobre Valêncio Xavier


> Para além da escritura: a montagem em Valêncio Xavier. De Maria Salete Borba.

> Até cubanos. De Milton Colonetti.

> Um estudo sobre a escrita literária de Valêncio Xavier. De Lígia de Amorim Neves.




tags: Curitiba PR literatura valencio-xavier obituario o-mez-da-grippe


 
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