Publicado originalmente por Bruno Dorigatti em 24/11/2006.
Dois mil exemplares mofando no estoque de uma editora ou 6 mil acessos gratuitos pela internet? Descubra o que autores, críticos, editores e livreiros pensam sobre este dilema.
Como vender o que não vende? Sim, estamos falando de literatura brasileira, virtualmente invendável, principal questão do seminário "Literatura sem papel", promovido pelo
Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC), da UFRJ, em novembro. A crítica on-line, o papel do editor nos tempos de internet e as experiências literárias de sites e blogs completaram a pauta.
Renato Cordeiro Gomes, da PUC-RIO, abriu o seminário comentando sobre o papel da tecnologia, que cria uma nova escala de julgamento e avaliação da novidade. "A materialidade das mídias tradicionalmente muda a concepção da obra. Como se dá isso hoje? Altera a obra? A nova tecnologia não mata a antiga. Os livros, por exemplo, nunca foram tão atrativos e sofisticados, até pela concorrência, que aumentou com as novas mídias." Renato apóia o fato de o suplemento literário Prosa & Verso, de
O Globo, começar a resenhar obras on-line. "É louvável, mas eu, por exemplo, tenho dificuldades para ler na tela algo mais extenso."
O repórter do caderno, Miguel Conde, comentou a mudança de atitude do jornal. "A intenção com estas resenhas é trazer para a grande imprensa esta produção que já é lida, comentada e resenhada em sites, que o jornal ignorava até então. O folhetim da Ana Paula Maia, por exemplo, teve visitação de 6 mil pessoas, maior que a média das tiragens [em torno de 2 mil exemplares] de livros de ficção. É um estímulo para que estes livros inéditos sejam publicados."
Também tema recente do caderno, a avaliação de originais nas editoras é considerado um "trabalho sujo", secundário, feito por estagiários, e o aproveitamento é muito baixo. A Record, por exemplo, nos últimos 12 anos publicou somente dois livros pinçados da pilha de originais endereçados à editora. "Não tem por que esperar sair em livro para ser avaliado", acredita Miguel, que complementa: "E nós chegamos com atraso. O livro de
Luis Biajoni,
Sexo anal, tem 23 resenhas on-line. O romance de
Alex Castro teve 30 mil downloads. Não tem por que não tratarmos destas obras. Na segunda-feira seguinte ao Prosa & Verso que deu capa ao assunto, recebemos 30 e-mails com links de livros on-line".
Ana Paula Maia já havia publicado em livro
O habitante das falhas subterrâneas em 2003, pela Coleção Rocinante, da 7Letras. Resolveu partir para publicação on-line de um folhetim. "Ler na tela é cansativo, complicado e embaralha. Por isso pensei e editei este folhetim para a internet, dividido em capítulos relativamente curtos. Dele, tinha publicado três capítulos, que formam um conto, na Itália, parte da antologia Sex n' bossa, pela editora
Mondadori. "Publiquei semanalmente, entre janeiro e abril, os capítulos de
Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos."
Ela guardou, porém, o capítulo final para o papel, caso o livro venha a ser publicado, para ter algo a mais, um diferencial. Mas ele foi pensado e escrito em pedaços, ainda que ela já tivesse a história completa na cabeça. "Foi concebido para ler na tela, por isso a divisão, como em um blog, onde se lê partes, pedaços de cada vez, e não se imprime para ler. É uma novela, e não um romance. E também funcionou como um exercício para eu trabalhar com a concisão, uma dificuldade minha."
Mas, em se tratando de um folhetim, algo do século retrasado e que está nas origens das telenovelas de hoje, como é a interação, participação do público-leitor? "Sobre a influência do público na produção da história, no meu caso ela é muito pequena ainda, se comparada com o folhetim clássico ou mesmo com as novelas de hoje, onde o público interfere de forma mais direta nos caminhos da trama." O folhetim se encaixa muito bem na internet, sobretudo no blog, onde dá para dividir em capítulos e fica em ordem cronológica. Mas Ana Paula pondera: "Precisa ter uma organização, um índice para navegar e facilitar a leitura on-line". Ela começou a escrever um roteiro quando estava doente, e imobilizada numa cama. Depois escreveu um monólogo e então se dedicou ao romance. "Não considero as editoras vilãs. Se com os escritores conhecidos já é difícil... Prefiro ser lida a ser publicada em livro para ficar no estoque da editora. Outra coisa interessante é poder ser lida quase que simultaneamente à produção escrita", conta ela sobre a produção on-line.
Há ainda o preconceito com a publicação, seja de literatura, críticas ou resenhas on-line. Segundo Miguel, "falta papel e braço para acompanharmos e filtrarmos tudo o que chega. Mas há dúvidas se devemos desovar este material no blog
Prosa Online. Nem todos que colaboram com a gente querem ver seu trabalho somente na internet, ainda tem menos prestígio". Mas a questão é: publica-se algo curto no caderno impresso ou publica-se o texto na íntegra on-line?
A segunda mesa do dia trouxe Paulo Roberto Pires, professor, jornalista, escritor e editor da Agir, selo da Ediouro. "A grande questão é: como vender o que não vende? Como circular o que não vende? No caso, a ficção brasileira."
Nos Estados Unidos e na França publicam-se novos autores de ficção, que também não vendem. A diferença é a escala de mercado e as fases que o livro tem lá fora. Nos Estados Unidos, o livro sai primeiro em capa dura (
hard cover), com tiragem média. Depois em
paperback, ou seja, em brochura, sem orelha e com papel pior. O preço médio do primeiro tipo de edição fica em torno de US$ 22, enquanto que o segundo tipo sai por US$ 9, em geral. Há ainda uma terceira fase, destinada ao que eles chamam de
mass market, uma brochura piorada, mas que dá ao livro mais uma vida. "O mesmo conteúdo, portanto, ganha várias encadernações, destinadas a públicos diferentes. Aqui, temos um híbrido, pois é uma brochura com orelha. É o pior dos mundos, o que torna mais caro viabilizar um autor", disse Paulo.
Se o caminho que o livro vai tomar se assemelha ao do disco, não dá para saber. "Hoje, é quase uma perversão comprar um disco, com a discoteca mundial ao acesso de alguns cliques na internet. Para a indústria fonográfica, a rede tem sido fatal. Mas para o livro ela poderia representar outra fase. O que sabemos é que há público para todos os formatos – capa dura, brochura, livro de bolso e download", acrescentou o professor que participou, este ano, do curso de Book Publishing na Universidade de Stanford, Califórnia. Voltado para editores de livros e revistas, o curso tem orientação acadêmica e conta com a participação de profissionais das diversas áreas do mercado editorial, como marketing, vendas, design, além de autores. "É curioso, pois se discute o papel em um lugar que está assassinando isso, onde nasceu o Google o Yahoo", comentou Paulo.
A pergunta é: o que vale mais, 2 mil exemplares mofando ou 250 downloads circulando? Por mais que exista o fetiche do livro e do papel, ele vem sofrendo um processo de desvalorização e "desierarquização". "Não é o fim, mas a transformação em outra coisa. O livro de referência está acabando. Enciclopédias, dicionários, manuais vêm confirmando as previsões", diz o editor. Um exemplo que inverte esta lógica, porém, é o
Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, que acaba de migrar da internet para o papel. A versão impressa, uma parceria do Instituto Cultural Cravo Albin com o Instituto Houaiss, acaba de chegar às livrarias. Enquanto a versão on-line é gratuita, atualizada regularmente e infinitamente maior, além de contar com uma versão inicial de 300 verbetes traduzidos para o inglês, a versão impressa traz biografias e dados relevantes sobre "apenas" 5.322 autores, intérpretes, grupos, agremiações, blocos e estilos musicais brasileiros urbanos, incluindo ainda mais de 500 desenhos de cerca de 40 mestres do traço, coordenado por Loredano, entre J. Carlos, K-Lixto, Lan e Nássara, das quais aproximadamente 100 são ilustrações inéditas produzidas especialmente para a obra. O preço, porém, não ajuda: R$ 160. "Qual a utilidade, se traz menos conteúdo e informação, apesar da legitimidade e o peso de quem organiza que traz para a publicação?", questiona o editor.
Num cálculo ligeiro, Paulo Roberto Pires informou quanto custaria, em média, o folhetim de Ana Paula Maia, se publicado. 50 laudas, mais ou menos entre 80 e 90 páginas de livro, algo em torno de 25 reais. "Se eu cobrasse um real de cada leitor, com um sexto da visitação que tive, arrecadaria mil reais, sem se incomodar com editora", completou Ana Paula. A questão é como fazê-lo.
Hoje os livros de não-ficção, obras mais técnicas e acadêmicas já são fatiadas e vendidas por capítulo na rede. Existem ainda os podcasts, com o próprio autor lendo o seu livro, algo que ainda mal começou a ser explorado em todo seu potencial no Brasil. Outra saída são as tiragens mais modestas e a impressão por demanda, o que já vem acontecendo lá fora, ainda que de forma incipiente.
O problema é que a ficção literária é a "pior" matéria-prima para estas soluções encontradas até agora. Não se vende um capítulo de uma obra ficcional. "A
Publishers Weekly, semanário norte-americano que trata do mercado editorial e principal vitrine para as editoras, publicou recentemente um editorial afirmando que ficção literária não dá mais para publicar, simplesmente porque as contas não fecham", conta Paulo. Se o livro é grande, pior ainda. O editor já fica com um pé atrás, pois tem os custos de produção.
Olhemos as exceções, porém. Um defeito de cor é o romance da estreante Ana Maria Gonçalves. Saiu com 952 páginas (R$ 79,90) pela Record e trata da saga de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas e que, ao longo da travessia, vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. "Admiro a coragem de quem publicou o livro. Todos que lêem dizem que é maravilhoso. São mais de 900 páginas, eu não teria essa coragem. É um livro que dificilmente vai fechar a conta. E é exceção", afirma Paulo Roberto.
Outra delas, porém cercada de episódios que sugerem uma possível manipulação marqueteiro-mercadológica, é o vencedor do prêmio Goncourt, o mais importante da França. O romance
Les bienveillantes (
As benevolentes), do americano Jonathan Littell (mas escrito em francês) teve seus direitos de publicação vendidos por US$ 1 milhão para a norte-americana HarperCollins na Feira de Frankfurt. Também com quase mil páginas, o livro narra a história a partir do ponto de vista de um ex-oficial da SS, a polícia nazista, homossexual e que não guarda remorsos dos crimes perpetrados pelo governo do qual fez parte. O autor não aparece em público nem na TV, dá raríssimas entrevistas (concedeu uma ao Le Monde,
reproduzida pelo caderno Mais!, da
Folha de S. Paulo de 19 de novembro último), recusou alguns prêmios, aceitou outros além do Goncourt, como o Grande Prêmio de Romance da Académie Française. A obra vendeu 280 mil cópias em um mês e meio e levou a editora Gallimard a remanejar parte do papel que estava reservado para as reedições de Harry Potter, segundo Sérgio Rodrigues, do blog
TodoProsa. No Brasil, o tijolo de Littell foi arrematado pela Alfaguara, do grupo espanhol Santillana que recentemente adquiriu parte da editora Objetiva, por um valor de seis dígitos. Para Paulo Roberto Pires, trata-se de uma edição comercial disfarçada de literatura. Ou ainda o que Gilles Lapouge, em
O Estado de S. Paulo, chamou de "óvni" editorial, que, suspeita-se, não teria sido escrito pelo autor.
Apesar de todas as facilidades para se publicar nos dias de hoje, cada vez mais autores contemporâneos de ficção ficam de fora. "A conta não fecha. De vez em quando se arrisca. O pior é quando você lê algo novo, acredita naquilo, mas ninguém lê. É frustrante, você empenha e aposta na sua qualidade profissional e nada acontece. Daí aparecem dois problemas: da sua saúde física e da saúde financeira da editora. E você se questiona se está fazendo seu trabalho de forma correta. Nessa cadeia toda, nós temos que ouvir mais o livreiro, saber como ele faz seu trabalho. Ele se esforça para vender? Seus funcionários lêem? E aí não falo da Livraria da Travessa, Letras & Expressões, Argumento [no Rio de Janeiro], ou da Livraria da Vila e Livraria Cultura [em São Paulo], isso é Paris. Falo da Siciliano, Saraiva, Laselva", frisa Paulo.
Há ainda, segundo o editor, a dificuldade que os prêmios têm de alavancar as vendas no Brasil. "Um Gouncourt vende 200 mil, um Booker Prize, 100 mil. Um editor me disse que não quer livro que ganhe o Jabuti, porque não vende. Mas é claro que todo mundo quer o prêmio. Há exceções, como Milton Hatoum [ganhador deste ano do Jabuti e do Portugal Telecom de Literatura], mas que não vende 100 mil livros. Na Inglaterra, um autor semelhante vende muito mais." O brasileiro, de forma ampla e geral, pode não ler ficção brasileira. Porém, há os que lêem. A saída seria mapear estes leitores. Quem é esse leitor, qual o tamanho desse público, como se edita para ele? É um universo que precisa ser diagnosticado.
Outra questão apontada por Paulo Roberto Pires é que os professores não lêem os novos autores. "Os colegas da USP são mortalmente desinteressados pelos contemporâneos, até pelos paulistas. Escrevem sobre os amigos. Se estes que têm que ler não lêem, como exigir que o pessoal da Siciliano leia? É um desinteresse total. E com o que é publicado na internet então..." Os próprios escritores também não lêem seus contemporâneos, critica.
À tarde, a pesquisadora Denise Schittine falou sobre sua pesquisa no mestrado, que originou o livro
Blog, comunicação e escrita íntima na Internet (Civilização Brasileira). "Quando comecei o trabalho, em 2000, havia 20 blogs no país. Hoje, o Brasil é o terceiro país com o maior número deles. E, se a princípio foi algo pessoal, para falar de si, vimos surgir e se desenvolver uma produção jornalística específica."
Antonia Pellegrino, escritora, roteirista de novelas da TV Globo e colaboradora da revista
Piauí e da
Vogue Brasil, edita o blog
Inveja de gato. Começou em 2003, com vontade de publicar, mas não imaginava que teria leitores. Com disciplina para escrever e postar, começou a fazer parte de uma rede de sociabilidades de novos escritores que possuíam blogs, como João Paulo Cuenca, Cecília Giannetti, Augusto Salles, onde se conversava e dialogava sobre esta nova produção. "Houve uma espécie de democratização da escrita, sem mediador, com contato direto com o público, algo revolucionário", acredita Antonia. Os trabalhos que conseguiu escrevendo, como a coluna na
Tribuna de Imprensa, na
Tpm, os trabalhos para a
Vogue e
Piauí, vieram um pouco por causa do blog, apesar das diferenças. "Ali é um work in progress, algo mais tosco, linguagem de agilidade, rapidez, o calor com o leitor, diferentes de blogs oficiais, institucionais. Nos EUA, os blogs têm mais esse viés profissional, hospedados em portais." Hoje, sem muito tempo devido aos trabalhos, ela geralmente posta as colunas publicadas em papel, a pedido dos seus leitores.
Augusto Sales, escritor e editor do
Paralelos, resumiu a história do site, que reúne uma boa leva dos novos escritores brasileiros, sobretudo cariocas. A idéia era mapear a geração 00 de escritores radicados no Rio de Janeiro, já que havia um aparente vazio da geração anterior, da década de 1990. E eles foram aparecendo, via blogs, zines, indicações de amigos boca-a-boca. O núcleo é formado por 20, 25 autores, mas há o dobro de pessoas envolvidas ou que já participaram de alguns dos projetos que o Paralelos desenvolve, seja no site, que publica contos, ensaios e notícias sobre literatura, seja na publicação do livro, Paralelos (Agir), com 17 autores, ou no
blog mais recente, criado dentro do Globo Online.
Por ser na internet, que a princípio não restringe tamanho tampouco quantidade, muitos pensam que basta enviar para ser publicado. Enganam-se. Os filtros continuam a existir, e o Paralelos conta com um conselho editorial que decide o que leva ou não ao ar, como está informado lá: "Os textos recebidos são lidos e analisados pelo conselho editorial, quem decide sobre tudo o que é publicado e quando melhor publicar". Há quem não entenda assim, ache que o site deveria publicar tudo que recebe e por vezes se revolta e mande e-mails agressivos. Ora, para isso tem os blogs, qualquer pessoa em menos de dez minutos cria um. Atrair a atenção desejada, postar algo criativo que fuja da mesmice das dezenas de milhares de blogs criados todo mês é que são elas, acredita.
Outro blog criado recentemente e que já conseguiu se transformar em editora é o
Bagatelas!. Surgiu para publicar os contos de seus criadores, Raphael Vidal e Luciano Silva. "Um amigo pediu e começamos a publicar outros contos. Daí nasceu o site, mas não para publicar tudo que recebemos", conta Raphael. Hoje, os 15 colaboradores são diversos lugares, como Portugal, Porto Alegre, Moçambique, Ilhéus, Guiné Bissau, Amazonas, entre outros. Em um ano, saiu a revista, também intitulada Bagatelas! Revista de Contos, trimestral, e que está na sua terceira edição, mesclando contos destes novos autores com entrevistas e depoimentos de nomes conhecidos como Marçal Aquino, Sérgio Sant'anna e o cubano Pedro Juan Gutiérrez. Em livro, o primeiro título foi o romance policial A arte de odiar, de Julio César Corrêa. Há outros no prelo, programados para dezembro. "Somos uma editora feita por escritores. Passa pelo mesmo processo de conselho editorial, revisão etc, mas é o grupo que faz, decide. É um prazer que temos; vantagem, nenhuma", aponta Raphael.
Para Augusto, "site ajuda a publicar livro, mas não a vender livros. Brasileiro não lê, não compra livros. E o leitor de internet é preguiçoso e mal acostumado. Lê em pílulas, coisas menores e sempre de graça". Então porque iria se deslocar até a livraria para gastar dinheiro?
Por fim, comentou-se o papel e ausência do crítico nos dias de hoje. Para Marcelo Lachter, da
Livraria Imperial, falta-nos aquele crítico que não faz nem a resenha nem a crítica acadêmica. "Falta o bom leitor, que lê bem e consegue explicar o que lê, ajudar os outros a lerem. Esse crítico acabou, o intelectual público, de jornal." Augusto fechou a terça-feira de bons papos ressaltando o perigo que essa ausência do crítico traz, onde o mercado passa a ditar os rumos ligeiros que mais este setor da vida contemporânea vem assumindo, sem a profundidade e o tempo necessários para que uma obra, uma idéia sejam discutidas, digeridas, absorvidas no seu próprio ritmo.
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