Publicado originalmente por Bruno Dorigatti em 24/03/2008.
Prêmio Leya contemplará romance inédito em língua portuguesa com 100 mil euros. Até quem não escreve ficção anda sentindo vontade de começar a produzir algo de fôlego...
Formado em janeiro deste ano pela união de doze editoras, dez portuguesas (Edições ASA, Editorial Caminho, Publicações Dom Quixote, Gailivro, Edições Novagaia, Texto Editores, Caderno, Lua de Papel, Oceanos e Livros d'Hoje), uma de Angola (Edições Nzila) e uma de Moçambique (Edições Ndjira), o grupo editorial
Leya nasce ambicioso. Para 2008, articula a compra de uma das maiores editoras brasileiras, a Companhia das Letras, e lança o maior prêmio para romances inéditos escritos em português. O grupo já havia desembolsado 80 milhões de euros para comprar a Dom Quixote, braço espanhol em terras lusas da editora de mesmo nome.
Com sede em Lisboa, a Leya é hoje a maior empresa editorial portuguesa, líder no mercado de edições gerais. Ocupa também lugar de destaque no mercado do livro didático e paradidático. Entre os autores no catálogo das editoras do grupo estão José Saramago, António Lobo Antunes, José Cardoso Pires, Pepetela, José Eduardo Agualusa, Ondjaki, João Ubaldo Ribeiro, Graciliano Ramos, Moacyr Scliar, Mário de Carvalho, Mia Couto, Gonçalo Tavares, entre outros.
O grupo lançou prêmio que deve figurar entre os mais importantes das literaturas em língua portuguesa. O Prêmio Leya
(confira o regulamento no site do grupo) vai contemplar o melhor romance inédito escrito em português com . O júri poderá também recomendar a atribuição de um ou mais "Prêmios Leya – Finalistas" no valor de 25 mil euros para cada obra. Os romances agraciados com a premiação serão publicados por uma das editoras do grupo e vão ser distribuídos simultaneamente em todos os países que adotam oficialmente a língua portuguesa. Podem concorrer ao prêmio autores de qualquer nacionalidade. O prazo para o envio dos originais é 15 de junho de 2008. O vencedor será anunciado na Feira do Livro de Frankfurt, em outubro deste ano.
O júri será presidido pelo escritor e poeta português Manuel Alegre (vencedor do Prêmio Pessoa 1999). O corpo de jurados inclui representantes de alguns países da comunidade lusófona, como o escritor português Nuno Júdice, o professor de Letras da Universidade de Coimbra José Carlos Seabra Pereira, o escritor angolano Pepetela (Prêmio Camões 1997), o catedrátrico moçambicano Lourenço Rosário, o romancista brasileiro Carlos Heitor Cony e a crítica literária Rita Chaves, professora da USP, especialista em literaturas em língua portuguesa e pesquisadora da Universidade Cândido Mendes.
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa engloba hoje Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, um universo onde em torno de 250 milhões de pessoas falam português. O grupo editorial pretende editar este ano cerca de mil novos títulos e estima um faturamento de €90 milhões. O presidente Miguel Paes do Amaral diz que a estratégia de atuação da Leya é uma aposta de longo prazo e garante que a identidade de cada uma das editoras adquiridas não será alterada. Paes do Amaral acredita que as casas editoriais "juntas serão mais fortes".
No Brasil, cresce a edição de obras de autores de língua portuguesa. Em 2002 foram lançados seis livros de países lusófonos; em 2004, 48 títulos, em 2007, foram 57. Em 2005, com o intuito de disseminar a literatura produzida em língua portuguesa, surgiu a editora
Língua Geral, que desde então vem lançando novos nomes e autores conhecidos de Angola, Mocambique, Portugal e Brasil, como José Eduardo Agualusa, Ondjaki, Mia Couto, Patricia Reis, Eduardo Coelho, Nelson Saute, Christiane Tassi, Mauro Sta. Cecília, entre outros.
Mas a crescente edição de autores que escrevem originalmente em português deve-se sobretudo ao Programa de Apoio à Edição de Autores Portugueses do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB), do o Ministério da Cultura de Portugal, que desde 2002 oferece subsídios para quem deseja publicar escritores contemporâneos lusófonos, nas áreas de ficção, poesia e ensaio. A bolsa chega a 60% dos custos de impressão e, no caso de edições realizadas aqui no Brasil, pode-se economizar ainda mais, já que não há gastos com revisão e produção editorial. Sem falar que o IPLB ainda fica responsável por gastos do escritor com viagens para a divulgação dos livros e participação em feiras e festivais literários.
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