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Entenda a crise econômica, sem economês!, por Mariana Garcia (SP)
j., Rio de Janeiro (RJ) · 9/10/2008 · 6
Fim do Mundo Pictures
Uma analogia resumindo o surgimento da crise econômica sem citar palavras como "subprime", "títulos", "liquidez" ou "lastro" - Por Mariana Garcia (SP)



Entenda a crise: um exemplo prático.

Imagine um ponto de drogas, uma boca no meio da favela da Vila Califórnia onde o dono é conhecido como Bucha. Bucha costumava vender drogas para blogueiros, pastores de igreja e atores globais que, por medo da exposição, costumavam pagar rapidamente.
A bocada estava meio devagar, pois um árabe fez alguns ataques, difamando seu produto numa lista de discussão da internet chamada al qaeda. Para levantar a moral e aumentar a lucratividade, Bucha decidiu vender pó fiado a outros tipos de clientes, como pessoas com graves problemas de dependência química, desempregados e jornalistas que faziam matérias por ali. Com isso, aumentou sua fatia de mercado e começou a cobrar o dobro desses caras para compensar o crédito fornecido.

O plano deu certo, em pouco tempo a popularidade da boca de Bucha aumentou e seus fornecedores, traficantes maiores, ficaram tão empolgados com a crescente demanda que começaram a adiantar a mercadoria para ele em troca da enorme dívida de seus clientes nóias. Depois, para negociar os lotes de drogas, esses traficantes repassaram as garantias dos nóias do Bucha aos produtores de farinha, que repassaram pra galera da torre de quinta, que repassaram para os plantadores bolivianos, que repassaram para a Narcisa Tamborengere.

Assim, sem ninguém saber a origem, essas dívidas nóias foram repassadas até se tranformarem em fundos de pensão, fundos de investimentos, cdb, rbd, dst, fhc, títulos, ações, debentures, derivativos da bm&f, créditos de celular, tickets de refeição, opções da bovespa e muitas outras siglas e recebíveis negociáveis em camelôs, bancos e bolsas de valores em mais de 50 países ao redor do mundo como se fossem garantias sérias de que alguém pagaria alguma coisa algum dia.

Enfim, pressionado pelos credores e sem clientes (estavam todos mortos), Bucha declara a falência de sua boca e todos descobrem que esse dinheiro simplesmente não existe: são as dívidas daqueles junkies sujos malditos que não pagaram pelo pó consumido e morreram de overdose. É isso. Agora ninguém confia em ninguém.


tags: São Paulo SP jornalismo-midia cronica cronicas


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foda! sou fã!

Chicones · Rio de Janeiro (RJ) · 9/10/2008 12:26
Hahahahhahahaa, genial!

churiana · Rio de Janeiro (RJ) · 10/10/2008 00:06
Não achei nada de genial o teu texto, Cecília, ainda que ele tente nos fazer entender a tal crise financeira que aí está. Achei de muito mal gosto a analogia do sistema financeiro internacional ao tráfico de drogas e a seus presumíveis investidores. Penso que poderias caracterizar a crise com outro tipo de negócio (que tal uma bodega?) e não a um negócio, que existe, sim, e ao qual nenhum de nós está imune de dele participar. Cuidado, pois isso pode suscetibilizar algumas pessoas.

Américo Leal · Paragominas (PA) · 16/10/2008 09:10
eheheh fazes-me rir e cada vez gostar mais de Brasiles na sua cultura e postura...

Boa, e preciso chocar, para chamar atençao e fazer falar ponderar...assim tambem se lançam sementes

Boa!

Depassagem · 19/10/2008 14:16
Caro Américo,

se você ler direitinho vai notar que o texto não é da Cecilia. Ela apenas o publicou. O texto é de Mariana Garcia, como informa o cabeçalho :-)




alice · Rio Grande (RS) · 23/10/2008 11:10
Américo,

Título:" Entenda a crise econômica, sem economês!, POR MARIANA GARCIA."

abs.

j. · Rio de Janeiro (RJ) · 23/10/2008 11:13
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